COLÉGIO MARY WARD
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Disciplinas eletivas ganham espaço nos currículos de ensino médio

Aulas permitem integração entre conceitos e conexão maior da escola com temas atuais em debate

Ocimara Balmant e Alex Gomes, especiais para o Estadão

28 de outubro de 2021 | 05h00

Que tal aulas de vivência urbana? Ou, pensando bem, será que conteúdos de gastronomia não podem também acrescentar ao repertório dos adolescentes? Pois é, faz alguns anos que as disciplinas eletivas ganharam espaço nos currículos de ensino médio. Mas, com os itinerários formativos, alargam presença e expandem também em diversidade.

Sem parâmetros curriculares que norteiam as disciplinas tradicionais como Língua Portuguesa, Matemática, Física ou Química, as eletivas permitem a integração de conceitos e abrem a possibilidade de uma conexão maior entre o ambiente escolar e os temas em debate nos dias atuais. Podem ser encontrados no cardápio de eletivas nomes como Resiliência e Transformação, Mercado Financeiro, Empreendedorismo Social, Ações Ambientais e Vivências Urbanas, entre uma miríade de opções disponíveis.

A revolução tecnológica, com questões como automação de tarefas, privacidade e segurança, comunicação e desinformação, é um tema atual que figura em listas de eletivas pelo País. No Colégio Mary Ward, o tema é abordado em Cidadania Digital. “Nossa disciplina propõe compreender como aplicar de forma prática todos os elementos que compõem a cidadania, como uso ético e responsável da rede”, diz Carlos César Marconi, diretor pedagógico do colégio.

Quando o passado ensina sobre o futuro

No Colégio Bandeirantes, a eletiva Violência e Arte: a Representação da Sociedade Brasileira na Literatura e no Cinema, direcionou o foco dos estudantes do 3.º ano do médio para um dos problemas mais complexos do País. Na ementa, tópicos como: violência como elemento constitutivo da sociedade brasileira desde os tempos coloniais; a sociedade escravocrata e sua representação em poemas de Gregório de Matos; a ditadura militar e sua representação nos anos 1980 e nas primeiras décadas do século 21; e a representação da violência na ficção cinematográfica por meio da análise de curtas e fragmentos de filmes nacionais.

“A implementação dessa eletiva foi a realização de um sonho: amplificar o debate com os alunos e trocar conhecimentos sobre a violência, algo que infelizmente está na raiz da formação do País”, diz Eneida Cristina Castro, professora de Língua Portuguesa e organizadora da disciplina.

Na rede pública estadual de São Paulo, há exemplos ligados à sustentabilidade, como o trabalho em hortas; ao mundo do audiovisual, como a produção de conteúdo para o YouTube; e ao empreendedorismo. Entre as eletivas mais procuradas estão as relacionadas com robótica e cultura maker e temas de gastronomia.

No universo da acessibilidade, o Centro de Mídias ofereceu a eletiva Vivência em Libras aos alunos do 6.º e 7.º ano do ensino fundamental. A proposta foi bem recebida e há planos de oferecê-la aos estudantes do ensino médio. 

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