Diretor do Sintusp promete 'maior greve' dos últimos anos

Sindicalista que ajudou terceirizados da limpeza em piquete diz que transferência de funcionários é calculada por reitor para 'desmontar' universidade

Carolina Stanisci, Estadão.edu

12 Abril 2011 | 14h15

O diretor do sindicato de trabalhadores da USP (Sintusp), Magno de Carvalho, é um dos articuladores por trás de movimentos de greve na universidade. Desde sexta-feira passada, apoia funcionários terceirizados da limpeza que não receberam o salário de março a protestar. Nesta terça-feira, os terceirizados fizeram piquete em frente à reitoria, na Cidade Universitária. Carvalho promete que o piquete vai continuar enquanto houver impasse quanto ao salário. "Eles queriam depositar em juízo, mas a gente não queria. Você não conhece a Justiça brasileira? Esse pessoal não tem reservas, eles precisam comer", afirma.

Na quinta-feira, diz o sindicalista, o Sintusp volta à porta da reitoria para mais um piquete. Desta vez, contra a transferência de mais de cem funcionários da reitoria para um prédio em Santo Amaro.

Vocês (Sintusp) fizeram piquete em frente à reitoria para apoiar os terceirizados da limpeza. Mas a USP diz que está tentando negociar e que depositou o dinheiro do salário de março em juízo. Por que o piquete?

A USP depositou em juízo, mas a gente não queria. Você não conhece a Justiça brasileira, companheira? O pessoal  precisa comer. O que sempre acontece é a USP fazer o pagamento junto com a empresa. Ontem, disseram que não dava e que iriam depositar em juízo. Os funcionários não têm segurança de receber esse salário. Só que o pessoal está com fome. Eles não têm outra saída a não ser bloquear a portaria da reitoria. Um advogado da reitoria vai procurar o juiz, para ver se resolve mais rápido. O pessoal está aguardando. Não vai sair da reitoria enquanto isso.

Os terceirizados estão parados desde sexta-feira. A direção da FFLCH cancelou aulas ontem e hoje e, no Instituto de Química, houve até vandalismo, com patrimônio quebrado. Como o lixo foi parar nos corredores e nas escadas de várias unidades da USP?

Disso nós não sabemos. Não sabemos se foi gente para incriminar o movimento.Não foi nada organizado. Ninguém estava aqui para jogar lixo. Se teve fato isolado, não é responsabilidade do movimento.

Vocês anunciaram nesta terça-feira que vão fazer outra greve, desta vez por conta da transferência dos funcionários da reitoria para outro prédio, no bairro de Santo Amaro. Qual é o problema da transferência?

Até o dia 20, os funcionários da reitoria devem sair. Já tem orientação de um grande grupo ir para Santo Amaro nesta quinta-feira. Os funcionários da reitoria fizeram assembleia decidindo que justamente quinta-feira, dia marcado para a primeira leva ir, vamos fechar o prédio da reitoria. São 125 funcionários que devem ir para Santo Amaro nessa primeira leva. Mas eles não vão. Olha, este ano vamos fazer a maior greve dos últimos anos. Os estudantes também vão entrar. Teve todos esses cortes de vagas, de cursos (refere-se à USP leste).

Por que eles não querem ir?

Santo Amaro, companheira. Essas pessoas tinham 20, 30 anos de USP. Isso vai mudar a vida delas completamente. Tem gente que tem filho na creche (da Cidade Universitária), escola. O prédio é depois da ponte João Dias. Eles vão pegar dois ônibus.

Muita gente pega ônibus para ir ao trabalho?

Aceitaram o local de trabalho aqui. E eles têm que pegar o filho na creche. O reitor está fazendo isso, de desmontar a universidade, desorganizar a vida de pessoas que estão em vários prédios. Tem gente que está pressionada, tem funcionário que está chorando.

Mas o reitor não chegou a conversar com os funcionários, não houve um diálogo?

Os funcionários da reitoria estão sendo obrigados. Esse reitor é o mais mentiroso de todos que a gente viu aqui. Do mesmo jeito que ele diz que as salas estão abertas, e não estão. A única consulta que houve foi dos funcionários do departamento de recursos humanos. A única. Todos os funcionários do prédio estão nessa luta. Ele está comprando prédios onde o metro quadrado é caro. Para desarticular o movimento e implantar o projeto dele de universidade, que é de privatização. Está extinguindo cursos, diz que vai diminuir número de vagas e já disse que universidade pública não é gratuita. Ele vai desarticular a categoria, vai gastar fortuna para colocar pessoas em locais estranhos à universidade. E vai gastar milhões fazendo isso.

 

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