Diretor da São Francisco divulga documento contra reitor da USP

Rodas é acusado de agir de forma 'rocambolesca' e de ter usado mal orçamento da unidade

Carlos Lordelo, Estadão.edu

29 Setembro 2011 | 16h17

O diretor da Faculdade de Direito da USP, Antonio Magalhães Gomes Filho, fez circular nesta quinta-feira um documento de 20 páginas para rebater críticas do reitor, João Grandino Rodas, à sua administração. Ex-diretor da São Francisco, Rodas tem usado boletins da reitoria para criticar a infraestrutura da faculdade e o Clube das Arcadas. O documento assinado pelo atual diretor, intitulado "Restabelecendo a verdade", responde em 14 pontos às críticas feitas nos boletins. "Essa perseguição é anunciada", diz.

Magalhães chama a transferência das bibliotecas, último ato de Rodas como diretor da faculdade, de "rocambolesca". "Em 22 de janeiro de 2010, quando na diretoria, Rodas destituiu a equipe responsável, exigiu a entrega das chaves que abrigavam o acervo e determinou sua imediata transferência para o edifício na Rua Senador Feijó", afirma. "Nem houve tempo, portanto, para que a comunidade ameaçada tivesse tempo de refletir sobre a eventual adesão ao projeto modernizador".

Magalhães tomou posse como diretor em 26 de janeiro de 2010, quatro dias depois da decisão. Um de seus primeiros atos foi trazer a biblioteca de volta. No texto de hoje, diz que "custa a acreditar que um ano depois venha o reitor (responsável pela açodada mudança) afirmar que 'descontinuar projetos da gestão anterior, em curso, por implicar desperdício de dinheiro público, contraria a lei e a moralidade administrativa'."

Sobre a reforma do prédio na Rua Senador Feijó (o 'anexo IV'), Magalhães cita uma série de oficios enviados à chefia de gabinete da reitoria, seguidos de 'inúmeros telefonemas". Um ano depois, segundo ele, a diretoria obteve resposta, assinada por uma arquiteta, de que não existia projeto para a obra.

Orçamento. O boletim da reitoria, com dados sobre o orçamento 2010-2011, afirma que a Faculdade de Direito é uma das que menos gasta as verbas colocadas à disposição. "É sintomático que a FD se situe, em 2010 e 2011, entre as unidades da USP que menos utilizaram seu próprio orçamento. Se ela não se deu ao trabalho de utilizar o próprio orçamento, que, inclusive, pode ser remanejado, teria feito esforço para conseguir verbas extras da universidade?", pergunta Rodas no texto divulgado na terça-feira, 27.

Em sua resposta, Magalhães diz que levantamento feito nas contas da universidade mostra que em 2009, quando Rodas era o diretor, 41% das verbas não foram usadas. O diretor afirma ainda desconhecer os meandros da contabilidade pública. Segundo ele, a unidade só tem uma contadora, mas há outra vaga em aberto, na dependência de concurso realizado pela reitoria.

Tapetes orientais. Um dos 14 pontos do texto de Magalhães é intitulado "A outra face da moeda: o caso dos tapetes orientais". Em 2008, a Faculdade recebeu doação da Fundação Arcadas de meia dúzia de "valiosos tapetes orientais". Quatro deles estão hoje na sala e na antessala da diretoria, diz o boletim, e os outros dois foram levados por Rodas para o gabinete da reitoria.

Diz um trecho: "Realmente, como pude pessoalmente constatar, em recente visita ao gabinete do reitor, (...) essas preciosas peças de tapeçaria oriental, ricas peças da arte de tecer, adornam aquele magnifíco recinto, cuidadosamente decorado com móveis de veludo e dourado, ao estilo Luis XV, cujo rei antecessor é o autor da frase 'L'État, C'est Moi'"! Muito coerente."

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