Diretor da Fuvest diz que a primeira fase está praticamente pronta

Paciência. Esse parece ser o segredo de Roberto Costa para dirigir a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) por três mandatos consecutivos. Fala mansa, jeito calmo, esse professor de matemática, há mais de 30 anos na USP, só tem um medo: precisar anular uma prova.No comando do vestibular mais concorrido e mais comentado do País desde 1997, Costa jura que nunca sofreu pressões para revelar o conteúdo do exame antes da hora. Vestibular ? A primeira fase já está pronta? Roberto Costa ? Está praticamente pronta. Já li e fiz algumas recomendações. Este mês é decisivo para nós, temos de mandar a prova para a impressão em novembro. Vestibular ? Quem tem acesso à prova? Costa ? Só eu e a vice-diretora da Fuvest, Maria Teresa. Ela é professora de português e faz a revisão de línguas. Fora nós, há as duas secretárias que digitam o exame, já que os professores escrevem as perguntas à mão. Mas elas não lêem nada. Quanto menos pessoas lerem, menos risco a gente corre. Vestibular ? Você tem dois filhos jovens, nunca aconteceu de um amigo deles fazer brincadeiras para querer saber o conteúdo da prova? Costa ? Não. Todas as pessoas com quem convivo respeitam muito esse sigilo. E esse processo funciona muito bem, de maneira geral, na Fuvest. Meus filhos, hoje com 25 e 27 anos, não estudaram na USP. Um deles nem fez Fuvest e o outro não passou. Achei até melhor assim, para ninguém dizer que houve favorecimento. A prova deste ano está mesmo diferente? Costa ? Acho que sim, as mudanças estão claras. Nós conseguimos cumprir as recomendações de aproximar mais as questões do cotidiano do aluno. Estou gostando da prova. Como é ser o responsável pelo maior vestibular do País? Costa ? É um trabalho de muita preocupação porque você sempre quer que ele seja visto como um exame da melhor qualidade. A nossa preocupação aumenta no primeiro dia de inscrições e só acaba quando divulgamos a última lista de aprovados. O maior drama, o maior medo, é ter de anular uma prova. Nunca aconteceu isso na Fuvest, mas seria traumático. Além de termos de fazer um novo exame muito rapidamente, custaria o dobro. O que você pensa em fazer quando terminar seu último mandato, em março? Costa ? Não sei ainda. A gente não consegue fazer nada que não seja ligado ao ensino. Talvez volte a dar aulas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.