Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Diretor da Capes deixa chefia de avaliação em meio à crise de órgão que regula pós-graduação

Demissão no alto escalão ocorre após renúncias de mais de cem pesquisadores nas últimas semanas

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2021 | 12h38

Depois da debandada de mais de cem pesquisadores, a  Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) sofreu uma nova baixa - dessa vez, no alto escalão do órgão.  O diretor de Avaliação da Capes, Flávio Anastácio de Oliveira Camargo, deixou a fundação. A informação foi confirmada pela própria Capes, por meio de nota. Com a demissão, aprofunda-se a crise na fundação responsável pelo fomento à pós-graduação no Brasil.

Camargo esteve à frente da Diretoria de Avaliação desde setembro de 2020. A área é responsável pelo processo de avaliação dos cursos de mestrado e doutorado, que entrou no centro de uma polêmica ainda sem solução. A informação foi antecipada pela Folha de S.Paulo

Em carta à presidente da Capes, Cláudia Queda de Toledo, Camargo afirmou que permaneceu no cargo até agora "por achar que ainda faria alguma diferença". "Infelizmente, não me sinto mais confortável na posição e penso que não será benéfica para o SNPG (Sistema Nacional de Pós-Graduação) a minha permanência neste cargo", disse.  O Estadão não conseguiu contato com Camargo. 

Por meio de nota, a Capes manifestou "seu agradecimento pelo trabalho e pela dedicação de Flávio Camargo". Disse, ainda, que está reunida, na nesta quarta-feira, 15, com os demais diretores, para discussão do tema.

"Para a segurança da academia e a estabilidade de todo sistema, indicarei com muita cautela o nome de um ou uma grande cientista, a fim de que a academia se sinta muito segura na condução do processo de avaliação, que é meta inarredável da minha presidência", afirmou a presidente da Capes, Cláudia Queda de Toledo, em nota enviada pela fundação. 

A presidente vem sendo criticada por pesquisadores que dizem não ver empenho de Cláudia para a retomada da avaliação dos cursos de pós e, por outro lado, corrida para autorizar novos cursos a distância - o que atenderia, principalmente, a iniciativa privada.

Na última segunda-feira, 13, diretores da Capes, incluindo Camargo, assinaram uma carta em que manifestavam "o reconhecimento do compromisso e do esforço empreendidos pela presidência".

Nesta carta, os diretores também afirmavam que "todas as diretorias, finalísticas e operacionais, se encontram em pleno funcionamento, alinhadas com os propósitos de atendimento ao interesse público, ao lado da presidente Cláudia Queda de Toledo". Dois dias depois, porém, o diretor de avaliação deixou o posto. 

Avaliação está paralisada

A avaliação dos cursos de pós-graduação está paralisada. Em setembro, uma liminar na Justiça suspendeu os trabalhos de pesquisadores após uma ação do Ministério Público Federal (MPF) questionar a forma de aplicação dos critérios de avaliação. Cientistas convocados em mandatos de quatro anos para trabalhos na Capes reclamaram da demora para que a presidência recorresse da decisão. 

Esse foi um dos motivos que levou às renúncias de dezenas de pesquisadores, nas áreas de Matemática, Engenharia, Física e Química.  No início de dezembro, após as primeiras renúncias de pesquisadores, a Justiça autorizou a retomada dos trabalhos, mas manteve suspensa a divulgação dos resultados - o que, na prática, ainda inviabiliza a avaliação. 

A Capes disse que determinou a substituição dos coordenadores de áreas da avaliação que renunciaram nos últimos dias e que dará continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido pela Diretoria de Avaliação. 

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