Direito da USP faz manifestação por transferência de biblioteca

Apesar de ordem judicial, apenas parte dos livros foi transferida

Paulo Saldaña, Especial para o Estadão.edu

11 de maio de 2010 | 21h52

Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) farão manifestação nesta quarta-feira, às 19 horas, contra o processo de mudanças do acervo biblioteca. Mesmo após decisão judicial da última semana - que exigia a transferência para o prédio histórico da instituição de todos os livros encaixotados -, alunos e professores garantem que parte deles ainda permanece no prédio anexo, na Rua Senador Feijó - que está em condições precárias.

 

 

"A biblioteca continua inacessível para nós", afirmou Marcelo Thilvarquer, 20 anos, aluno do 3º ano. Em documento divulgado pelo centro acadêmico XI de Agosto, o alunos frisaram que a faculdade de Direito "nunca é paralisada por qualquer motivo", o que de denota "a gravidade da situação". Segundo o documento, o ato é necessário porque as recentes atitudes da direção colocam em risco a maior biblioteca jurídica do Brasil.

 

 

Professores e alunos expõe o que seria uma queda de braço com o ex-diretor da faculdade João Grandino Rodas - atual reitor da USP -, responsável pela transferência no ano passado da biblioteca para o prédio anexo. Na sexta-feira (7), depois da ordem judicial, enquanto o atual diretor, Antonio Gomes Magalhães Filho, estava hospitalizado, o vice-diretor Paulo Borba Casella - ligado a Rodas - tentou revogar a ordem de transferência. "Ele chegou a ameaçar funcionários da biblioteca", disse uma professora, que preferiu não se identificar.

 

 

A manifestação dos alunos, no histórico pátio das Arcadas, será também de apoio ao atual diretor e repúdio aos atos autoritários do reitor e do vice-diretor. "A faculdade está de luto", disse Thilvarquer.

 

 

As obras encaixotadas no prédio da Senador Feijó chegaram a ser atingidas por vazamentos na semana passada, um dos motivos que fez com que a Justiça ordenasse a transferência. A biblioteca da faculdade já provoca atritos desde o ano passado. A mudança de todo o acervo de dois importantes acervos - a circulante e as departamentais - para o prédio anexo foi decidida pelo ex-diretor João Grandino Rodas. Segundo ele, a transferência  teria sido necessária para liberar espaço para novas salas de aula no prédio histórico. Desde janeiro, parte dos livros ainda está encaixotada e alunos reclamam que têm tido problemas quando precisam consultar alguma bibliografia. Além disso, o prédio está em péssimas condições.

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