Direito da USP debate nesta terça demanda de alunos grevistas

Greve dos alunos já dura 17 dias; crise sobre a pouca oferta de aulas já gerou até a renúncia do diretor interino

Bárbara Ferreira Santos,

26 Agosto 2013 | 19h24

A greve dos alunos da Faculdade de Direito da USP já dura 17 dias. Sem assistir às aulas desde o dia 9 de agosto, eles pedem melhorias nas aulas, mudanças estruturais na grade curricular e reclamam da pouca oferta de vagas e de disciplinas optativas, o que faz com que muitos não consigam cursar as aulas que querem, dificultando o preenchimento do mínimo de créditos no semestre e ameaça a conclusão do curso de alunos prestes a se formar.

 

“Estamos trabalhando com demandas para três momentos. Temos o imediato, que é a questão das matrículas nas disciplinas optativas, que em parte já foi contemplada com o realocamento de estudantes para outras aulas neste semestre. Temos uma questão para o ano que vem, que envolve os créditos-livres e um modelo de sala que permita mais optativas. E para 2015, nossa ideia é que haja uma reforma estrutural da grade. Estamos dando um primeiro passo rumo a uma grade mais completa”, afirmou o presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Alexandre Ferreira.

 

A crise sobre a pouca oferta de aulas na Faculdade de Direito da USP já gerou até a renúncia do então diretor em exercício, Paulo Borba Casella, há dez dias. Quem assumiu o cargo foi a segunda decana da faculdade, Odete Medauar. Ela deve dirigir a instituição até o dia 30, quando se encerra o pedido de licença-prêmio do diretor Antonio Magalhães Filho.

 

Desde então, os  alunos continuaram debatendo com o corpo técnico da faculdade os pleitos da greve. Nesta terça-feira, 27, deve ocorrer uma reunião extraordinária da Congregação (órgão máximo da faculdade), convocada por meio de assinaturas de um terço dos membros da instituição, colhidas pelos próprios alunos. Na reunião devem ser debatidas questões como o reconhecimento institucional da greve, o abono de faltas, a formatura do 5º ano de Direito e a formação das salas para o próximo ano.

 

Uma outra parte das reivindicações deve ser debatida na quinta-feira, 29, durante uma reunião ordinária da Congregação, que acontece toda última quinta-feira do mês. Nela deve ser debatida uma das questões mais polêmicas: a criação de 60 créditos livres em vez dos atuais 12. Para resolver esse assunto, a Comissão de Graduação já nomeou a professora Mariângela Gama de Magalhães para analisar as medidas que poderiam ser implementadas pela faculdade. Em audiência pública na manha desta segunda-feira, 26, Mariângela afirmou aos alunos que a instituição tem condições de implementar 40 créditos-aula a partir de 2014 em vez dos 60. Mas ainda não há nada definido: a proposta deverá ser discutida pela Comissão de Graduação e pelos chefes de departamento antes de chegar à Congregação.

 

Os alunos disseram ao Estado que devem continuar em greve até que as reivindicações sejam debatidas e atendidas. Após as reuniões dessa semana, eles devem promover audiências públicas na quinta-feira à noite e na sexta-feira de manhã para fazer um balanço das negociações.

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