Diploma falso rendeu cargo de professora na rede estadual

Elisandra pagou R$1,8 mil para comprar pela internet diploma com que conseguiu passar em concurso público

Rodrigo Pereira, de O Estado de S. Paulo,

14 de março de 2008 | 21h40

Elisandra Mara de Almeida Chiusoli foi um dos alvos da Operação Cola, deflagrada nesta sexta-feira, 14, pela Polícia Federal. Na casa dela foram encontrados um diploma da Unip e registro do MEC, ambos forjados. Foi com esses documentos, negociados em setembro de 2007 mas com datas do fim de 2006, que ela obteve o Certificado de Aprovação da Secretaria de Educação no dia 22 de outubro e garantiu as vagas na rede pública.       Elisandra, através de um e-mail e do pagamento de R$ 1,8 mil, conseguiu o diploma falso que valeu sua aprovação em um concurso público promovido pela Secretaria da Educação de São Paulo para  o cargo de professora de filosofia nas escolas estaduais José Ferreira da Silva, em Descalvado, e Orlando da Costa Telles, em Ibaté, onde ela mora. Segundo a escola de Descalvado, Elisandra ainda quinta-feira, 13, ministrou aulas para as turmas 1A, 2C e 2D, no turno da manhã. À tarde daria aulas em Ibaté - a escola e a professora não foram localizadas.   As investigações que chegaram ao esquema de falsificação começaram na Delegacia de Crimes Fazendários da PF, em São Paulo. O caso só foi repassado para a Superintendência de Mato Grosso depois que os federais descobriram que o mentor da fraude era de Tangará da Serra. Na troca de e-mails com a máfia dos diplomas, Elisandra afirma estar "muito interessada" no esquema e pede urgência. A negociação do diploma era feita toda pela internet. Procurada, a quadrilha enviava lista com os dados necessários para produzir o documento falso.   Os dados para a confecção do diploma são: > Nome completo: > Data de nascimento: > Naturalidade: > Nome dos pais: > Data de conclusão de curso para constar no diploma: > Nome do curso (habilitação) > CPF: > RG: > Endereço para entrega: > CEP:   Na troca de e-mails, Elisandra envia seus dados no dia 4 de setembro de 2007, às 21h57, e pede "resposta o mais rápido possível":   ESTOU MUITO INTERESSADA POR ISSO ESTOU ENVIANDO OS DADOS SOLICITADOS. PEÇO QUE MANDE RESPOSTA MAIS RÁPIDO POSSÍVEL. PREFIRO A FORMA DE PABAMENTO POR SEDEX A COBRAR entrem em contato o mais rápido possível   Em pouco tempo ela recebe o diploma e os registros do MEC, registrados com datas de dezembro de 2006 e janeiro de 2007, respectivamente.   Reprodução do diploma e dos certificados da Unip e do MEC      Os documentos frios são apresentados à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que lhe concede certificado de aprovação em concurso público para o cargo de professor de filosofia e garante vaga em duas escolas da rede pública.   Reprodução do Certificado da Secretaria   Neste ano a professora ministrou aulas (12 semanais na Escola Estadual José Ferreira da Silva, em Descalvado, e 5 na Escola Estadual Orlando da Costa Telles, em Ibaté, ambas na região de São Carlos) de Filosofia para alunos do 1º ao 3º ano do ensino médio.   A Secretaria de Segurança Pública prometeu excluir Elisandra de seu quadro de funcionários e exigir na Justiça a devolução dos salários obtidos com a fraude e impedi-la de prestar concurso público nos próximos 5 anos.

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