Dilma lança segunda etapa do Ciência sem Fronteiras e promete mais 100 mil bolsas

Nova etapa do benefício para estudantes brasileiros no exterior compreenderá o período de 2015 a 2018

Rafael Moraes Moura, Bernardo Caram e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

25 Junho 2014 | 19h37

Atualizada às 23h01

BRASÍLIA - Em mais um anúncio de peso eleitoral na área de educação, a presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quarta-feira, 25, a segunda fase do Ciência sem Fronteiras, com uma promessa de garantir 100 mil bolsas para estudantes brasileiros no exterior, de 2015 a 2018. 

Ao contrário do que fez com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), cuja meta foi ampliada na segunda fase, o governo optou no caso do Ciência sem Fronteiras por fixar uma cifra similar à da etapa original (101 mil bolsas). Diante da dificuldade de alguns parceiros privados concederem todas as 26 mil prometidas no Ciência sem Fronteiras 1, Dilma já determinou que o próprio governo banque o benefício. 

A iniciativa privada teria bancado cerca de 8 mil bolsas até agora. “Serão mais 100 mil bolsas na segunda etapa do Ciência sem Fronteiras. É muito importante também a variedade de países, porque para nós interessa alunos estudando em Coreia, Japão, China, porque nesses países também têm escolas de alta qualidade”, disse a presidente, em solenidade no Palácio do Planalto. 

Conforme o MEC, o Ciência sem Fronteiras já garantiu 83.184 mil bolsas até junho deste ano. Estados Unidos (32%), Reino Unido (11%), Canadá (8%), França (8%) e Alemanha foram os países mais procurados pelos estudantes brasileiros. Portugal foi suspenso do programa, em um esforço do governo de forçar os alunos a buscarem estudos em outra língua. “Vamos cumprir a meta independentemente do setor privado”, disse o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a jornalistas, após a cerimônia. Questionado sobre a não ampliação da meta na segunda etapa do projeto, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Clélio Campolina, disse que a marca de 100 mil bolsas é “arrojada”. 

Demandas. Leandro Tessler, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em internacionalização no ensino superior, acredita que o lançamento da segunda etapa do programa é precipitado. “É importante ter antes uma avaliação detalhada dos resultados da primeira fase”, diz.

Já o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Lucchesi, credita a baixa participação da iniciativa privada a entraves legais e burocráticos. “Isso dificultou um pouco, mas o desenho é melhor para a segunda fase”, afirmou. “Nosso interesse é grande: investir em formação é estratégico para as empresas.” Para Tessler, a iniciativa privada foi pouco cobrada pelo governo. “Mas também deveriam estabelecer contrapartidas mais claras para que as empresas participem.” / COLABOROU VICTOR VIEIRA

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