Diferenças regionais brasileiras explicam escolha do destino do intercâmbio

Levantamento com 7 mil intercambistas revela preferências dos alunos de cada Estado

Guilherme Soares Dias/Especial para o Estado,

30 Janeiro 2014 | 01h02

Paulistas, baianos, pernambucanos e capixabas têm preferido a Irlanda como destino para fazer intercâmbio e estudar outro idioma. A Inglaterra é o país mais escolhido por mato-grossenses e gaúchos e os Estados Unidos, por goianos e brasilienses. Levantamento feito pela Egali Intercâmbio com 7 mil estudantes que viajaram mostra que diferenças regionais explicam as preferências.

A Irlanda, por exemplo, é o país eleito por quem, além de estudar, quer trabalhar durante o intercâmbio. “Isso pesa em Estados em que a classe média é a que mais procura intercâmbio. Não é necessário visto e os preços são mais acessíveis”, afirma o diretor comercial da Egali Intercâmbio, Guilherme Reischl.

Os estudantes do Distrito Federal, por sua vez, preferem os Estados Unidos na hora de estudar inglês no exterior. “É um destino escolhido principalmente por profissionais que estão de férias e/ou querem fazer um curso de curta duração. E isso é um perfil predominante dos estudantes de Brasília, uma cidade bastante focada na questão profissional”, ressalta.

Foi graças a um curso de três semanas em 2013, no Novo México, Estados Unidos, que a estudante de Publicidade Keyla Fernandes, de 23 anos, trocou de emprego. “Fui durante as férias da faculdade e isso me ajudou a conseguir um novo trabalho”, conta ela, que trabalha em uma produtora. “Em julho, pretendo ir de novo, mas dessa vez para estudar inglês em Chicago.”

Dificuldade. O levantamento também mostra que gaúchos e mato-grossenses preferem a Inglaterra. Como são Estados sem consulado norte-americano, os interessados precisam viajar para São Paulo ou Brasília para a obtenção do visto. “Isso encarece a viagem em cerca de R$ 1 mil, e eles acabam optando por ir para a Inglaterra, que tem o mesmo perfil dos Estados Unidos: o de atrair, predominantemente, profissionais que desejam cursos curtos”, diz Reischl.

A publicitária gaúcha Luciana Kruse Bohn, de 27 anos, foi para Londres no ano passado. “Tinha dúvida do melhor lugar para ir. Acabei indo para a Inglaterra por não precisar de visto e poder viajar pela Europa”, conta. A experiência rendeu um inglês mais afiado, cinco carimbos no passaporte e crescimento pessoal. “Fiquei cinco meses, mas vou levar essa experiência para toda a vida. O maior diferencial foi o amadurecimento”, considera.

O Canadá é mais procurado por moradores de Estados em que há predomínio de adolescentes e adultos jovens que querem viajar para estudar, como Minas Gerais. “É gente que está no ensino médio ou no início da faculdade e quer trabalhar na área em que tem interesse. O país é receptivo ao jovem”, considera.

Crescimento. As viagens de intercâmbio têm ganhado força nos últimos cinco anos. “O jovem que fazia mochilão está indo agora para estudar. Também aumentou o número de profissionais que abrem mão das férias para fazer um curso”, afirma Reischl.

Os números do setor sustentam a afirmação do diretor comercial da Egali. Segundo a Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta), apenas no ano passado cerca de 202 mil brasileiros fizeram intercâmbio de idioma - uma alta de seis vezes nos últimos dez anos. Em 2003, 34 mil estudantes fizeram intercâmbio. Em relação a 2012, o crescimento foi de 15,2%.

“Houve um boom nos últimos anos, de pessoas que antes achavam que não poderiam fazer esse tipo de viagem”, afirma a diretora de relações internacionais da Belta, Neila Chammas.

É o caso da administradora Letticia Silva Copeiro, de 29 anos, que passou nove meses na Irlanda em 2013, após sonhar anos com a viagem. “Escolhi pelo preço acessível e a possibilidade de conhecer a Europa, além de ser simples a questão do visto e de trabalho”, diz ela, que mora em São Paulo.

Durante o intercâmbio, Letticia, que investiu cerca de R$ 18 mil no programa, trabalhou cuidando de crianças. “Aprendi a conviver com outras culturas e pessoas, a saber lidar com a saudade, a me adaptar em um ambiente e em um clima diferentes”, conta.

Já a estudante de Administração Natalie Santiago, de 21 anos, escolheu a Austrália por ter praias e um clima parecido com o do Recife, onde mora. “Fui estudar inglês durante um mês, nas férias, mas acabei ficando sete. O curso será um diferencial no meu currículo.”

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