Dicionário da ABL: correções antes mesmo do lançamento

Até meados do ano passado, imortais da Academia tinham uma certeza: Portugal não assinaria o acordo

Bruno Versolato, Especial para O Estado

30 de janeiro de 2009 | 09h40

Em março do ano passado, a Companhia Editora Nacional se preparava para imprimir o Dicionário da Academia Brasileira de Letras, o primeiro feito pela ABL nos seus 111 anos de existência.   Coordenado pelo professor e acadêmico Evanildo Bechara, o trabalho envolveu cinco lexicógrafos doutores em Letras, Literatura, Linguística e Filologia durante pouco mais de dois anos.     Mas a Nacional identificou um problema. A obra ignorava a nova ortografia da língua portuguesa.   MAIS SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO: Correndo atrás da reforma ortográfica Editoras atualizam dicionários visando aumento de demanda 'Dona de casa' perde os hífens; 'pé-de-meia' não O Acordo Ortográfico e as dúvidas dos próprios especialistas Software com novo corretor ortográfico já está disponível VOLTA ÀS AULA: Empresas lucram com personagens infantis em material escolar Seguros para educação protegem colégios da inadimplência Brechó reduz custo de material A educação na era do notebook As particulares, de olho no português  Enquete: Você concorda com o investimento do MEC em notebooks educacionais?  Enquete: Você acha que as novas regras simplificam a ortografia?  Enquete: Quais mudanças ortográficas você considerou mais difíceis de entender?   Os acadêmicos insistiam que Portugal não assinaria o acordo ortográfico e prepararam o dicionário sem nenhuma mudança. "Os autores são eles, mas a editora tinha a posição que não deveríamos lançar um dicionário sem as mudanças. Caso o acordo saísse, a obra seria um livro morto", afirma Edgar Costa Silva, coordenador da equipe da Nacional que revisou a obra da ABL. Contrariando as expectativas dos imortais da ABL, o Parlamento português ratificou os termos do acordo em maio.   Após várias conversas entre representantes da Nacional e da ABL, a academia concordou em fazer a migração dos verbetes do dicionário para a nova ortografia. O trabalho levou mais alguns meses e seis provas de revisão. O dicionário chegou às livrarias no fim de 2008, com 33 mil verbetes. Mas equívocos na interpretação de regras referentes ao uso do hífen depois dos prefixos com "co" e "re" exigiram uma revisão do dicionário. Mais trabalho para a equipe de Edgar, que auxiliou os lexicógrafos da ABL na tarefa de corrigir o livro.   A primeira edição tinha erros no uso do hífen em 21 palavras com o prefixo "re" seguida da letra e. Uma segunda interpretação da ABL devolveu a grafia de reeleição, por exemplo, sem hífen. "Ficou entendido que os prefixos 'co', 're', 'pré' e 'pro' dispensam hífen mesmo quando a segunda letra é 'e' ou 'o', diz Bechara.   Também houve erros na primeira edição na grafia de palavras com o prefixo "co". Segundo a regra, quando há o encontro de uma vogal com a letra h, elimina-se o h. "Coabitar" não fica muito ruim. Mas muitas pessoas estranharam o substantivo adjetivo coerdeiro (grafado na versão inicial do dicionário da ABL como "co-herdeiro").   "Algumas palavras vão parecer estranhas para todos, mas uma reforma ortográfica não é feita geração que a pensou, e sim para a próxima, para a geração que está sendo alfabetizada agora. Essa nova geração não vai estranhar a grafia", diz Bechara.

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