Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Dicas para fazer uma boa redação na Fuvest

É importante escrever e ter alguém para corrigir texto segundo critérios da Fuvest, além de cuidar da caligrafia e concluir raciocínios propostos

Marcelo Burgos - Especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2016 | 10h36

A redação da Fuvest deve ter forma de dissertação. Normalmente há uma coletânea de textos abordando o tema escolhido para a prova – no ano passado, tratava de utopias, e no anterior, discutia a “camarotização” da sociedade brasileira.

E qual é a melhor forma de estudar para a redação? Maria Aparecida Custódio, responsável pelo Laboratório de Redação do Objetivo, diz que o aluno deve produzir textos e ter alguém para corrigi-los de acordo com os critérios da Fuvest. Também é indicado que o vestibulando trabalhe no mesmo texto até entender o que pode melhorar. “O importante é voltar ao próprio texto, e não descartá-lo e começar outro, como é bem comum”, afirma a professora Suzana Hungaro, do Colégio Bandeirantes.

Em termos de conteúdo, são avaliados pela banca a adequação ao tema, o potencial crítico dos argumentos, a coerência e a coesão. “O vestibulando tem de ser antenado e conhecer os clássicos da literatura mundial e brasileira, pois isso ajuda nas citações e referências. A banca quer saber qual é a leitura de mundo do candidato”, explica Simone Motta, do Etapa.

Isso sem falar na letra cursiva, que pode ser ininteligível em tempos de smartphones e tablets. Quem não tiver letra compreensível pode treinar caligrafia. Simone, do Etapa, adverte que os jovens que navegam muito na internet acabam não só tendo caligrafia ruim como deixam raciocínios em aberto, como se estivessem diante de “janelas” ou programas na tela do computador. “Nessa época é difícil que os estudantes finalizem e arrematem seus raciocínios, sentenças e períodos. Todos devem ficar atentos a isso.”

Maria Aparecida, do Objetivo, diz que os alunos podem usar a própria bagagem para enriquecer o texto. “Música, dança, poesia, psicanálise. Tudo vale, se citado com propriedade.”

Quanto ao tema, a redação da Fuvest tem perfil mais voltado para o lado subjetivo e trabalha com definições. “A banca não vai pedir assuntos específicos, mas pode muito bem falar de altruísmo ou empatia, levando ao desenvolvimento de temas como os refugiados na Europa.” Maria Aparecida destaca outros possíveis temas: superação (no contexto da Olimpíada) e autoestima (em situações como bullying).

Livro angolano entrou na lista obrigatória

O candidato à vaga da Fuvest sabe que pelo menos nove livros tem de ter lido. Esses são definidos como obrigatórios pelo vestibular. Cobrem a literatura portuguesa, a brasileira e, a partir deste ano, também a angolana. Entrou para a lista Mayombe, do escritor Pepetela (Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos), sobre a luta de independência de Angola.

“O ideal é que o aluno tenha lido os livros ao longo de pelo menos três anos e aí faz sentido dispor de resumos que o ajude a recapitular”, explica Suzana Hungaro, professora do Colégio Bandeirantes. “Mas é bom frisar que esses resumos não substituirão a leitura, e ninguém consegue ler de maneira satisfatória livros tão complexos na reta final.”

Isabella Fazzi, aluna do 3.º ano do Bandeirantes, leu todos os livros, até Mayombe. Gostou de Pepetela. “Ele tem uma linguagem diferente, assim como o Guimarães Rosa. A gente estranha no início, mas depois se acostuma.” Seu colega de escola Pedro Henrique Perico e Santos também leu os títulos indicados e se dedica à preparação para a prova. “Vivo com os últimos dez exames da Fuvest na mochila. Estou sempre consultando.”

Estudante do Colégio São Luiz, Tatiana Martinez conta que os livros indicados pela Fuvest são lidos na escola ao longo de três anos e que também são realizadas palestras e atividades em sala sobre os enredos. “Dessa forma fica mais fácil. Nós lembramos bem dos livros.” Como exemplo, a aluna lembra a encenação de um julgamento fictício dos personagens de Capitães de Areia, de Jorge Amado.” 

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