'Dias parados têm de ser compensados', diz reitor da USP

Para Zago, crise na universidade deve ser 'encarada com realidade'; falta de acordo sobre tempo não trabalhado é o principal impasse

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2014 | 16h08

SÃO PAULO - O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Marco Antonio Zago, voltou a defender nesta quarta-feira, 17, a desvinculação do Hospital Universitário (HU), durante reunião da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). E ressaltou que a crise da universidade estadual deve ser vista “com realidade”. 

Zago afirmou que a desvinculação do HU não pode ser vista com “preconceito” pelos críticos. “A gestão de um hospital por uma universidade é coisa do passado”, disse, mencionando como exemplo o Hospital da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, vinculado ao Estado. 

Os gastos com o HU, que passaria a ser responsabilidade da Secretaria de Saúde, poderiam ser usados para investir mais na instituição, segundo o reitor. “Eu sou proibido neste momento de contratar docentes para cursos e pesquisas porque tenho de gastar recursos com fralda e antibiótico”, declarou.

Propostas como a desvinculação do Hospital Universitário (HU) e o Plano de Demissão Voluntária, que podem reduzir as despesas da USP, têm sido criticadas por alunos e funcionários, que chamam as iniciativas de “desmonte”. Servidores e professores fizeram interrupções constantes durante o encontro, com vaias ao reitor. 

Oportunidade. Para Zago, a crise constitui uma “oportunidade” para reparar o déficit de cerca R$ 1 bilhão da universidade em 2013 e, segundo ele, deve repetir-se em 2014. “Obviamente temos de estancar essa sangria ou nós não sobreviveremos a 2016”, afirmou.

O dirigente afirma que as ações visam “a dar estabilidade para o futuro”. Este foi um dos motivos pelos quais o Conselho dos Reitores das três universidades paulistas encaminhou, na semana passada, ofício ao Estado e à Alesp para solicitar um aumento no repasse às instituições. “Temos, obrigatoriamente, de levar em consideração sempre o sonho e a realidade”, disse, referindo-se às medidas tomadas por ele. 

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