Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

Diagnóstico da discalculia só veio aos 55 anos

PhD em Ciência Política pela Universidade de Chicago sempre foi mal em matemática

Mariana Lenharo , Jornal da Tarde

29 Setembro 2010 | 11h23

O cientista político Alexandre Barros sempre foi mal em matemática. Hoje PhD em Ciência Política pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, na infância e adolescência chegou a pensar que era incompetente, já que não conseguia multiplicar ou dividir como seus colegas de classe. “Todo o período escolar foi um horror. Fui sempre empurrado para professores particulares de matemática.”

 

O primeiro “grande fracasso” foi em um exame para ser admitido no antigo ginásio: não chegou à nota de corte em matemática.

 

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- Discalculia, o mal de números

Barros, 68 anos, só foi descobrir a discalculia aos 55 anos, quando já era um profissional reconhecido em sua área e tinha passado por vários dos obstáculos que o distúrbio poderia lhe causar. Um amigo que lhe ditava um número de telefone percebeu que Barros havia anotado os números numa ordem diferente, e disparou: “você tem dislexia”.

 

Surpreso, o cientista foi procurar saber mais sobre o assunto e descobriu que tinha um problema parecido com a dislexia. “Descobrir que era discalcúlico lavou a minha alma”, lembra.

 

Afinal, a dificuldade com números tinha um nome e não era “burrice”. Isso o confortava. Como foi possível conviver esse tempo todo com a disfunção sem descobrir sua existência?

 

“Sempre fugi para onde não tinha matemática. Simplesmente escapulia dos números”, diz.

 

Na graduação, Barros foi fazer Ciências Sociais, curso focado em disciplinas da área de Humanas. Mas no dia a dia a discalculia ainda o afeta. Ele relata que não consegue conferir o troco rapidamente. “Sei que, se compro algo de R$15 e der nota de R$20, preciso receber R$5 de volta. Mas, se o produto custa R$ 5,23, não consigo fazer a conta.”

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