Detentos do Rio fazem prova de vestibular

O sonho com a liberdade e a crença na regeneração estimularam 263 detentos de 22 unidades prisionais do Rio de Janeiro a se inscreverem no vestibular de 2005 da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Hoje, durante quatro horas, presos condenados por assalto, assassinato, seqüestro e outros crimes fizeram as primeiras provas. A aprovação no concurso não garante a liberdade, mas pode ser o primeiro passo para conseguir a progressão da pena. O chefe da Seção de Educação da Penitenciária Lemos Brito, na região central do Rio de Janeiro, Tácito Chagas Ribeiro disse que, depois de aprovados, os presos que estão em regime fechado podem solicitar a progressão da pena para o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP). Segundo ele, os candidatos têm os mais variados graus de periculosidade: "Tem gente que já está em liberdade condicional, outros ainda têm uma pena longa a cumprir, mas podem tentar na VEP a progressão para o regime semi-aberto". O ex-cabo da Aeronáutica, Edson Sodré Teixeira, de 42 anos, era um dos candidatos da prova. No ano passado, ele foi aprovado no curso de pedagogia da Uerj. Agora, tenta filosofia e quer ser escritor. Condenado a 63 anos de prisão por seqüestro e assassinato, Teixeira ainda não solicitou a progressão da pena: "Cometi um crime hediondo, tenho que cumprir pelo menos um terço da pena", explica. "Quero acumular méritos para que, quando eu pedir, o juiz abra uma exceção e conceda".

Agencia Estado,

20 de junho de 2004 | 17h30

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