Desigualdades na educação se ampliam na crise sanitária
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Desigualdades na educação se ampliam na crise sanitária

Nas escolas públicas que oferecem ensino a distância, 26% dos alunos não têm condições de acompanhar o conteúdo

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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11 de setembro de 2020 | 00h00

Em abril, a produtora rural e enóloga Amana Castelo Branco recebeu uma ligação da escolinha onde a filha de 5 anos estudava: não havia mais recursos para manter as atividades a distância, e a instituição estava fechando. A família mora há três anos na roça, a 12 quilômetros da cidade mais próxima, Resende Costa, no interior de Minas Gerais, onde ficava a escola.

“Eu ainda falei: vamos mais um mês, a gente continua pagando a mensalidade e, precisando, corre atrás de mais algum apoio. Elas (as donas da escola) ficaram relutantes, mas continuaram. Em maio, elas me ligaram de novo para avisar que não daria mesmo”, lembra Amana. Com a saída de vários alunos, transferidos para a escola municipal ou estadual da cidade, o negócio não era mais sustentável.

A situação apontada por Amana reflete a de muitas escolas particulares de educação infantil no País. Em São Paulo, essas instituições registraram perda de metade dos alunos e queda de 80% na receita.

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Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), metade dos alunos no mundo está sem aulas devido à pandemia. No Brasil, 35% dos alunos da educação básica e superior estão sem qualquer tipo de atividade, aponta o Instituto DataSenado. Entre aqueles cujas escolas disponibilizaram ensino a distância, 26% dos alunos de escolas públicas relatam não ter acesso ao material.

Apesar de 74% dos brasileiros estarem conectados à internet, segundo a pesquisa TIC Domicílios, isso não significa que cada membro de uma família tenha seu próprio dispositivo. “Quando a gente qualifica os dados, vê que muitas vezes a família tem um único celular que o pai usa para fazer uber, ou entregas, então a criança em si não tem acesso ao aparelho a todo tempo”, ressalta Ivan Gontijo, coordenador de projetos do movimento Todos Pela Educação. “As crianças mais vulneráveis são mais afetadas pela pandemia em todas as dimensões: são os filhos dos pais que perderam o emprego, são os filhos dos pais que não estão conseguindo colocar comida em casa por conta da crise econômica”, lembra ele.

Upgrade de eletrônicos

Por outro lado, em lares com mais recursos financeiros a adaptação foi bem mais tranquila -- apesar de mesmo assim ter seus percalços. Adriano Jantalia é professor de educação física no colégio privado Dante Alighieri, em São Paulo, e conta que chegou a fazer uma minirreforma na casa para que ele e a mulher (também professora) pudessem dar aulas enquanto os dois filhos, alunos do Dante, seguem com o horário regular de atividades da escola.

“Nós quatro temos aulas ao mesmo tempo, então a gente teve que adequar a casa para ter quatro espaços diferentes e atender a essa nova dinâmica. A primeira coisa foi transformar os espaços, depois melhorar a internet e fazer um upgrade de equipamentos”, relata.

Verônica Cannatá, também professora do Dante e mãe de dois alunos na escola – além de coordenadora de tecnologia da instituição –, conta que os filhos inclusive têm relatado uma melhora na concentração.

Depois de um período de adaptação, a família tem curtido a companhia em casa, conta. “No começo houve a disputa pelo território: o melhor dispositivo da casa, o ponto mais próximo do roteador, o cômodo com a melhor acústica e a melhor iluminação. Depois veio a solidariedade com um ajudando o outro.”

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