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Nota no Enem piora em Matemática, mas avança em outras áreas

Dados por escola foram divulgados nesta quarta; ministro alertou para risco de comparação pura e simples das notas obtidas

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2015 | 14h40

Atualizada às 22h37

BRASÍLIA - O desempenho das escolas no Enem 2014 piorou em Matemática em relação a 2013. A média obtida no ano passado foi de 511 pontos, 33 pontos inferior ao resultado do exame anterior. A queda, no entanto, foi registrada apenas nesta área de conhecimento. Ano passado, a pontuação em Linguagem e seus Códigos subiu 20 pontos, passando de 508 para 528. Em Ciências da Natureza o salto foi de 15 pontos, passando para 507. Na área de Ciências Humanas, a elevação foi de 28 pontos. Para pesquisar a pontuação de todas as escolas, clique aqui.

“Os resultados gerais mostram que há o que se comemorar”, afirmou o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), Francisco Soares. “Mas há ainda um caminho a percorrer”, completou. O presidente do instituto disse ser necessária a realização de estudos mais aprofundados para identificar as razões que levaram à queda de desempenho na área de Matemática.

Para fazer a análise, o Inep levou em consideração as notas alcançadas por 1.295.954 alunos. Todos fizeram as quatro provas objetivas e uma redação, com notas superiores a zero. Os dados, no entanto, não levam em consideração todas as escolas com alunos que preencheram esses quesitos.

Para fazer parte do ranking, as instituições precisavam atender a duas condições: pelo menos dez alunos deveriam ter participado do exame e esse número deveria ser igual ou superior a 50% dos estudantes matriculados na escola. Com isso, o número de escolas com resultados divulgados foi de 15.640.

“As informações fornecem, ao mesmo tempo, dados para gestores, professores e famílias sobre desempenhos de alunos matriculados nas escolas”, disse o presidente do Inep. 

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, no entanto, alertou para o risco de se fazer uma comparação pura e simples das notas alcançadas pelas escolas. Ele observa que as instituições apresentam grandes diferenças entre si.

“Para corrigir as distorções provocadas pela heterogeneidade é preciso analisar uma série de variáveis, como a seleção do aluno, dados socioeconômicos e o porte das escolas”, observou. “Uma nota final 500, por exemplo, não exprime necessariamente se o ensino foi bom. A nota pode ser reflexo da condição social do aluno e, nesses casos, a capacidade de intervir da escola pode ser muito baixa.” Para ele, tem mais valor uma instituição que fez o estudante saltar de uma nota 200 para 400 do que outra que fez o desempenho melhorar de 500 para 550.

Permanência. Assim como foi feito no ano passado, o Inep agregou dados de acordo com algumas condições. Foram feitas análises separadas, por exemplo, do desempenho dos estudantes de acordo com o Indicador de Nível Socioeconômico (ISE), com o porte da escola e com a formação do corpo docente. Também foi usada uma nova variável: o índice de permanência nas escolas.

O ministro criticou a estratégia de alguns colégios de expurgar alunos ou de atrai-los segundo o desempenho. Tal estratégia, de acordo com ele, leva a resultados que estão pouco relacionados à qualidade do ensino e à capacidade de a escola ajudar a preparar o estudante. “É uma espécie de eugenia.”

As diferenças observadas quando se avaliam esses fatores são significativas. O maior impacto no desempenho das escolas é o nível socioeconômico dos alunos. Aquelas com alunos de condição econômica muito alta alcançaram média de 611 pontos, 182 a mais do que aqueles com ISE considerado muito baixo: 429. “É uma invasão da desigualdade social na escola”, resumiu o ministro.

A segunda maior diferença entre as escolas aconteceu de acordo com o índice de permanência. Escolas com índice muito baixo (em que apenas 20% dos estudantes iniciavam e terminavam o ensino médio na instituição) alcançaram uma nota média de 545 pontos. Nas escolas com índice de permanência alto (em que 80% dos alunos começaram e concluíram o ensino na instituição) a nota média foi de 508. Uma diferença de 37 pontos.

A qualidade do corpo docente, por sua vez, provocou uma diferença de 34 pontos na média das escolas. Aquelas que tinham pelo menos 50% dos professores preparados de forma adequada apresentaram médias superiores ao grupo de escolas em que profissionais não reuniam tais quesitos.

A diferença de desempenho segundo o porte da escola também foi significativo: as menores tiveram, em média, 27 pontos a mais do que as instituições de maior porte. “Mas é preciso lembrar que escolas grandes trazem experiência e ajudam a criança a conviver com a diferença”, disse Janine Ribeiro.

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