Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Desafio tecnológico

A rápida evolução da tecnologia oferece oportunidades para profissionais de TI que querem evoluir na área - mas exige muita dedicação para aprender sozinho

Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu,

25 Fevereiro 2013 | 22h43

Marcada pela transformação constante e pelo descompasso entre a oferta de mão de obra qualificada e o número de vagas, a área de Tecnologia da Informação (TI) é hoje um dos principais gargalos para o desenvolvimento do País. A demanda por profissionais atualizados às últimas tendências na área de tecnologia seguirá alta ainda por muitos anos. Quem tem pressa para entrar ou crescer no mercado, porém, não pode perder tempo. Para atender esse público, instituições de ensino superior têm investido cada vez mais em cursos de especialização na área.

 

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o setor emprega hoje 1,3 milhão de profissionais. Seu faturamento anual é de US$ 112 bilhões, o que representa 4,5% do PIB brasileiro. Projeções da entidade, no entanto, indicam um déficit de 45 mil profissionais em TI no Brasil até 2014.

 

A área exige profissionais extremamente capacitados. Quanto mais específica for determinada formação, maiores serão as chances daqueles que se arriscarem nela. O consultor e coordenador da Qi Network, Roberto Giovanini, de 25 anos, é um dos aventureiros. Formado em Tecnologia em Banco de Dados pela Fiap, o jovem matriculou-se no ano passado em um MBA de Arquiteturas de Redes e Cloud Computing da mesma instituição. “O conceito de computação em nuvem já é consolidado no exterior e seu mercado aqui no Brasil é bastante promissor”, diz ele. “Enxerguei no curso a possibilidade de mudar para uma área nova e sair na frente de outros.”

 

Giovanini estava certo. Segundo estudo publicado pela IBM e feito em parceria com o instituto de pesquisa Economist Intelligence Unit, o número de empresas que migrarão suas infraestruturas de tecnologia para ambientes online duplicará até 2015.

 

Não demorou muito e o jovem sentiu reflexos da nova especialização em sua carreira. Depois de seis meses de curso, Giovanini recebeu uma proposta para trabalhar como consultor na nova área.

 

A Fiap possui uma lista com mais de 10 cursos de MBAs voltados para a área de tecnologia. Assim como o de Cloud Computing, os de Business Intelligence e de Desenvolvimento de Aplicações para Dispositivos Móveis são especializações cuja procura tem crescido.

 

Tal como a Fiap, diversas instituições adotam o selo de MBA para classificar seus cursos de especialização. Celso Poderoso, coordenador da faculdade, destaca que, apesar da nomenclatura, o foco mantém-se em tecnologia e não em administração. Os cursos recebem esse nome por terem na grade curricular algumas disciplinas de gestão. Vale lembrar também que os MBAs no Brasil são tidos como cursos lato sensu e, por esta razão, não concedem o título de mestre a seus formandos.

 

Autodidatismo

 

Para o coordenador dos cursos de pós-graduação em TI da Federal de São Carlos (UFSCar), Sérgio Zorzo, um bom profissional da área de informática deve ser naturalmente autodidata para se renovar na velocidade exigida pelo mercado. “Fazer cursos e ter por perto pessoas que o auxiliem na compreensão de novas linguagens e tecnologias tende a acelerar e a otimizar esse processo”, diz.

 

O engenheiro de software da Ci&T, Ricardo Tarício, de 29 anos, concorda. Ex-aluno do curso de Desenvolvimento de Software para Web da universidade, ele afirma que o que vale no fim é a especialização em determinadas tecnologias, seja ela motivada por curiosidade, experiência ou educação formal. “Um curso, no entanto, traz um peso para o currículo”, diz.

 

A especialização feita por Tarício está hoje em sua 11.ª edição. Segundo Zorzo, a grade curricular de cada turma é única. “Oferecemos um novo curso a cada ano”, diz. “Temos de estar atentos às tendências e mudanças de mercado para passar isso aos nossos alunos.”

 

Na contramão

 

Enquanto muitos profissionais de TI fazem cursos de tecnologias específicas, outros, geralmente mais velhos e experientes, buscam pós-graduações mais abrangentes. São pessoas formadas em áreas técnicas prestes a assumir cargos de liderança.

 

O curso de Gestão de Projetos em TI oferecido pela Fundação Vanzolini em parceria com a USP nasceu justamente com o intuito de atender esse público. “Costumo dizer que os profissionais da área têm dois grandes problemas: um é criar um projeto, o outro, mantê-lo em funcionamento”, diz Marcelo Pessoa, coordenador da pós.

 

Apesar de relacionado com TI, a especialização tem como principais pilares conceitos de projetos e de operações. O curso visa a capacitar profissionais a adotar as melhores tecnologias para a gestão de negócios.

 

Com foco semelhante, a BBS Business School lançou neste ano o MBA em Tecnologia da Informação. O destaque é o conceito de governança de TI. Segundo Riccardo Rovai, coordenador do curso, muitos profissionais evitam cursar MBAs tradicionais pela pouca relação com o seu dia a dia. “Queremos formar executivos aptos a alinhar tecnologias às estratégias da própria empresa”, diz. “Precisamos desmistificar a governança de TI para que os CIOs (diretores executivos de tecnologia) enxerguem a área não apenas como um custo, mas como aliada.”

 

Especialidades

 

Cloud Computing

Tecnologia que permite o armazenamento online de dados, informações, programas e ferramentas

 

Business Intelligence

Processo de coleta, organização e análise de informações que auxiliam na gestão de negócios

 

Gestão de Projetos em TI

Área que sistematiza engenharia de sistemas e de software, gestão de riscos, segurança e privacidade

 

Governança de TI

Conjunto de práticas coordenadas por executivos para alinhar a tecnologia às estratégias de negócio

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