Deputados pressionados votam recursos para educação

Os deputados paulistas devem ter nesta tarde mais uma sessão tensa para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), sob pressão de professores, estudantes e funcionários das universidades estaduais e das Faculdades de Tecnologia (Fatecs). A LDO determina os repasses de recursos estaduais para as instituições de ensino superior, e é este o ponto de tensão.Há greve há quase 40 dias nas três universidades paulistas - USP, Unicamp e Unesp - e os estudantes das Fatecs estão parados desde 3 de março. Os grevistas querem que a LDO eleve para 11,6% do ICMS o repasse às universidades - hoje em 9,57% - e para 2,1% o repasse às Fatecs - atualmente em torno de 0,5%.Na quarta-feira, com cerca de 250 pessoas no plenário e outras 50 assistindo num telão, os deputados paulistas tiveram uma sessão conturbada e cancelaram a votação da LDO, transferida para esta quinta.Os alunos das Fatecs querem, além do aumento de recursos, evitar que que seja incluída na LDO a dotação para transformar as Fatecs em centros regionais de educação, cujos cursos não seriam mais de graduação. "Além disso, seria uma descentralização para criar cargos e montar uma máquina eleitoral do governo no Estado", acusa Henrique Drovandi, diretor do centro acadêmico da Fatec-SP.Há um acampamento de estudantes e, frente à Assembléia, desde o dia 27 de junho, e os estudantes temem que a PM seja acionada para a votação desta quinta. "Na sessão de ontem (quarta), alguns deputados chegaram a xingar os estudantes", relatou Drovandi.Os grevistas das universidades reivindicam também reajuste salarial imediato, rejeitado pelos reitores, que propõem reajuste apenas a partir de janeiro, condicionado ao aumento da arrecadação estadual.Na quarta-feira, o Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) informou que só retomará as negociações com o Fórum das Seis, que reúne associações de funcionários e professores das três universidades, quando cessarem os piquetes e ações violentas, como a invasão da reitoria da Unicamp.Para o coordenador do Fórum, Milton Vieira do Prado Júnior, a iniciativa é um avanço, pois em comunicado anterior o Cruesp havia rejeitado nova reunião.

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