Depois da seleção

Legitimação é fator crítico para trainee

Reinaldo Yonamine, Estadão.edu

20 Agosto 2011 | 17h02

Muitos jovens buscam uma carreira acelerada (fast track), que possibilite atingir uma posição cobiçada em pouco tempo. Logicamente, as empresas também têm interesse que jovens de alto potencial tenham carreira acelerada, gerando contribuições e possibilitando um processo sucessório efetivo.

Se as duas partes têm o mesmo interesse, por que alguns programas de trainee não dão o resultado desejado, a ponto de serem descontinuados? Quando o trainee deixa a empresa, quem mais perde é ela: o investimento não tem retorno. O trainee, apesar de sair com boa carga de treinamento, também perde: poderia já estar mais adiantado na carreira.

Um dos fatores-chave é o da legitimação. O trainee é alguém orgulhoso de participar de um grupo seleto, mas com pouca experiência e sem autoridade (cargo formal), mas que precisa ser aceito pelos pares, superiores e clientes. Esse processo precisa ser construído gradativamente e com apoio institucional “local”, não só da alta cúpula, importante porém distante. Uma das possibilidades é ter um mentor (escolhido pelo trainee ou designado).

Uma parte da legitimidade é fornecida pela empresa: cargo, recursos para realizar trabalhos relevantes, autoridade, designação para projetos desafiadores. São importantes, mas em geral os trainees não podem contar com esses elementos.

Outra parte da legitimidade está no próprio trainee: competência técnica e gerencial, capacidade de influenciar, atitude. Exemplo de comportamento que prejudica a construção da legitimidade: excesso de autoconfiança que gera arrogância. O trainee que não consegue se legitimar não conquista espaços e acaba saindo.

Outro fator fundamental é o protagonismo – o trainee deve assumir responsabilidade e iniciativa pelo desenvolvimento da sua carreira em vez de simplesmente esperar que a empresa providencie tudo. Isto é muito comum, pois um dos apelos dos programas são os benefícios que a empresa oferece, que acabam gerando uma atitude de esperar por mais. Ser protagonista significa ter determinação em deixar de ser um “eterno estudante” e buscar entregar resultados estratégicos.

Um livro interessante para compreender fatores por trás de carreiras excepcionais é Outliers, de Malcolm Gladwell. Não basta ser inteligente, ter diploma de escola de primeira linha e talento. Deve-se levar em conta apoio (mentor, pais, professor, orientador de carreira), oportunidades para praticar muito e entender o momento e o contexto.

A recomendação é que o candidato pesquise se a empresa, além dos bons treinamentos, oferece projetos desafiadores. Assim, o candidato deve buscar informações sobre os resultados dos programas da empresa.

Procure saber pela sua rede social o índice de retenção de trainees. Pelo lado da empresa, conseguir que o trainee se legitime e seja protagonista da sua carreira aumenta a possibilidade de reter os seus valiosos talentos.

* É engenheiro de Produção pela Poli, mestre em Psicologia pela USP, consultor, coach, diretor da DPO-Desenvolvimento Pessoal e Organizacional e coordenador do Centro de Carreira e Orientação Profissional da Poli

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