Demétrio Magnoli critica reitor por propor 'política retrógrada'

ONG Educafro elogia Rodas e diz que cotas podem mudar 'meritocracia desonesta e cruel' da USP

Paulo Saldaña, Especial para o Estadão.edu

13 Novembro 2009 | 19h33

Crítico das cotas raciais, o geógrafo e sociólogo Demetrio Magnoli disse lamentar a posição do novo reitor da USP, João Grandino Rodas, de estimular o debate sobre a adoção desse sistema na universidade. "Lamento que o reitor da USP se curve a essa política retrógrada, reacionária, que não produz inclusão social", afirmou. De acordo com Magnoli, doutor em Geografia Humana pela própria USP, o debate proposto por Rodas já ocorreu e a universidade rejeitou as cotas. Ele disse que, mais importante do que convocar o debate, o reitor deve primeiro "se posicionar claramente" sobre o assunto.A proposta de Rodas foi elogiada pelo diretor da ONG Educafro, frei Davi Santos. "Estamos convictos de que esse debate vai ajudar muito todos os setores da universidade", disse. "Defendemos radicalmente a meritocracia, mas denunciamos que a meritocracia da USP é injusta, desonesta e cruel."O diretor da Educafro afirmou que Rodas foi o único dos oito candidatos a reitor a mencionar em seu programa a questão das cotas, apesar de todos terem sido procurados pela ONG. O novo reitor pôde acompanhar uma experiência com cotas raciais na própria Faculdade de Direito, dirigida por ele. A faculdade criou em 2005, antes de Rodas assumir a direção, um mestrado em Direitos Humanos no qual um terço das vagas é destinado a negros, indígenas, deficientes físicos ou candidatos com dificuldade socioeconômica. Foi a primeira vez que a USP adotou uma medida desse tipo.

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