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Deixou vaga na USP para estudar no Japão

O paulistano Alisson Ninomia viajou 18.697 quilômetros para fazer faculdade em Nagoya

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

28 Abril 2012 | 17h57

Alisson Ninomia podia escolher entre USP e Unicamp, mas preferiu estudar Engenharia de Computação a um oceano de distância. O paulistano de 20 anos é o único estrangeiro da turma no Instituto Tecnológico de Nagoya, a 260 quilômetros de Tóquio. Concluiu o 4.º semestre do curso e tem mais quatro períodos pela frente.

 

O estudante soube da oportunidade de fazer faculdade de graça no Japão em uma palestra no Colégio Etapa, onde concluiu o ensino médio. Concorreu a uma bolsa do governo japonês e passou por uma seleção que envolveu provas dissertativas, entrevista no consulado e análise de documentos e do currículo. Também entregou uma carta de recomendação escrita por um professor.

 

A notícia de que havia sido aceito chegou no último dia da segunda fase da Fuvest, em janeiro de 2009. “Foi difícil tomar a decisão de vir, ainda mais depois de passar no vestibular”, conta. As aulas no Japão começariam três meses depois.

 

Antes de iniciar a faculdade, cujas aulas são em japonês, Alisson passou um ano aprendendo o idioma na Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio. Embora seja neto de japoneses, nunca ouviu os avós paternos falando a língua materna. “Quando chegaram ao Brasil eles decidiram que falariam português de qualquer jeito.”

 

Em Tóquio, o brasileiro morou no alojamento da universidade e, por uma semana, na casa de uma família. “Aprendi sobre a cultura e o cotidiano dos japoneses nessa adaptação.” Quando mudou-se para Nagoya também dividiu residência universitária. Hoje vive sozinho num apartamento. “Apesar dos problemas que o país enfrentou no ano passado (por causa do tsunami), o governo não diminuiu a bolsa. Dá para custear o aluguel e os gastos com alimentação e transporte.” Alisson não paga a faculdade que, mesmo pública, não é gratuita.

 

Para o estudante, o intercâmbio vai fazer a diferença no currículo. “Hoje a gente tem acesso a tanta informação que as empresas consideram um desperdício uma pessoa que nunca se interessou em sair da ‘bolha do conforto’ do próprio país.”

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