Defensores de 'democracia' na PUC-SP publicam 'nota oficial' falsa de d. Odilo

Documento postado no Facebook traz até assinatura do cardeal; grupo reconhece falsidade do material e diz que texto foi divulgado por 'equívoco'

Carlos Lordelo e Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu,

16 Novembro 2012 | 21h45

Uma página do Facebook criada para discutir e informar a comunidade acadêmica sobre a mobilização contra a nomeação da nova reitora divulgou um documento falso na tarde desta sexta-feira, 16, no qual atribui ao cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, uma série de justificativas para a escolha de Anna Cintra para dirigir a universidade. O material já foi retirado do ar.

Segundo o texto, que traz uma assinatura forjada do cardeal, a escolha e nomeação da nova reitora é "legítima" e "não vem, como lamentavelmente declarado por alguns poucos, 'denegrir ou manchar' a história ou memória da PUC-SP". A Assessoria de Imprensa de d. Odilo confirmou a falsidade da "nota oficial" e lamentou a atitude de quem produziu o material. "Parece que querem que d. Odilo pareça um vilão."

O documento foi publicado pela página "Democracia na PUC-SP", que tem cerca de 2,5 mil seguidores. O perfil do grupo diz que se trata de uma "página coletiva de todos e todas que lutam pela autonomia universitária na PUC-SP".

Em um dos trechos mais polêmicos, o material falso afirma: "Deseja-se esclarecer que decisão exibida em 12 de novembro de 2012 e seus artigos se manterá irrevogavelmente, já que não ultrapassou ou contradisse qualquer lei, norma ou estatuto, sendo apenas a vontade justificada dos reais proprietários da instituição, estes descritos na própria nomenclatura da mesma, Pontifícia, e da mantenedora, a Fundação São Paulo". 

O post tinha 56 comentários até as 21h40 desta sexta. No início, alguns estudantes mostraram-se revoltados com o conteúdo da suposta nota. "Então a Fundação São Paulo declarou guerra aos estudantes? Isso mostra a verdadeira face da Igreja... conservadora e antiquada!", comentou um jovem. Outro completou: "A Fundação SP admite que devemos ignorar o passado de luta a favor da democracia na PUC-SP, e insiste que a igreja deve aumentar sua influência sobre a PUC. Lamentável". Alguns perceberam que o documento poderia ser falso.

De acordo com uma comissão de comunicação formada por alunos, o documento não foi "forjado por qualquer pessoa com ligação à pagina ou ao movimento que pode ser identificado como 'Democracia na PUC-SP'" - conforme dizia o título original desta reportagem, depois alterado. Em sua página no Facebook, a comissão afirma desconhecer a origem do material, erroneamente publicado sem que antes as informações ali contidas tivessem sido confirmadas. "Cometemos, sim, um equívoco ao veiculá-lo sem conferir sua procedência." O grupo se comprometeu ainda a retirar do ar as publicações referentes ao documento falso e a publicar uma nota de esclarecimento.

Terceira mais votada na consulta feita à comunidade acadêmica em agosto, Anna Cintra foi a escolhida pelo cardeal para assumir a reitoria da PUC pelos próximos quatro anos. A decisão, divulgada na terça-feira, 13, abriu uma crise na universidade. Alunos, professores e funcionários decidiram entrar em greve até que a nomeação de Anna Cintra seja cancelada. Eles pedem que d. Odilo homologue o resultado da eleição, da qual o atual reitor, Dirceu de Mello, saiu vitorioso.

* Atualizada à 1h50 e às 17h30 do dia 17 de novembro

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