'Decepcionado', Oliva diz que construiu candidatura com cientistas, não com políticos

Preterido por Serra, candidato mais votado na eleição da USP diz que 'contaminação de discussões acadêmicas por questões partidárias é terrível'

Sergio Pompeu, Do Estadão.edu

13 Novembro 2009 | 11h44

Candidato mais votado na eleição para reitor da USP, o cientista Glaucius Oliva disse esta manhã ao Estadão.edu ter ficado "desapontado" com a decisão do governador José Serra de indicar para o comando da universidade o segundo colocado na votação, João Grandino Rodas. "Não construí minha candidatura baseado em apoios políticos ou de ex-reitores, mas dos cientistas, das pessoas que fazem o cotidiano da universidade", disse Oliva, em clara alusão a Rodas, que teve o apoio declarado do secretário estadual de Justiça, José Antônio Marrey e dos ex-reitores Flávio Fava de Moraes e Adolpho Melfi. Apesar de admitir que o poder conferido a Serra de escolher qualquer um dos três candidatos mais votados "faz parte da regra do jogo", Oliva reclamou da falta de acesso ao governador ou a autoridades estaduais. "O governador não me deu a oportunidade de expor meu projeto. Mas não sei se a escolha foi baseada na diferença entre projetos, até porque a decisão saiu de pronto", afirmou Oliva, diretor do Instituto de Física da USP em São Carlos. "Isso cabe ao governador esclarecer." Oliva qualificou de "terrível" o risco de "contaminação de discussões acadêmicas por questões partidárias". Isso ocorreu quando a reportagem perguntou se ele acreditava que sua intenção de estimular o uso do novo Enem, carro-chefe da política federal para o ensino superior, como primeira fase do vestibular da USP possa tê-lo desgastado com setores do PSDB. "É muito ruim quando as cabeças são pequenas o bastante para contaminar questões acadêmicos com o viés político. Quando se faz ciência, o objetivo do debate é procurar a verdade, apoiar as boas ideias, sejam do PT ou do PSDB." O diretor do Instituto de Física chamou de "falacioso" o argumento usado por pessoas próximas do governador, de que Serra ficou à vontade para escolher o segundo da lista porque nenhum candidato conseguiu a maioria absoluta de votos. "O governador está acostumado a disputar cargos majoritários. Nessas instâncias, é levado em consideração o número de votos válidos. Certamente o governador não gostaria de disputar uma eleição em que a maioria absoluta fosse calculada em cima do número total de eleitores cadastrados, sem o desconto de ausentes e de votos nulos", disse. Numa das etapas do segundo turno da eleição, realizado na quarta-feira, Oliva teve 162 votos, 2 a menos do que o necessário para chegar à maioria absoluta. O colégio eleitoral tinha 325 eleitores, mas compareceram à votação 274 pessoas. Pelo raciocínio de Oliva, descontados os ausentes e os 6 votos nulos, sua candidatura teve o apoio de 59% dos eleitores que efetivamente votaram. "Esse argumento (usado pelo círculo próximo a Serra) precisaria ser mais refinado."  

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