Debate coloca Provão em xeque

O sistema nacional de avaliação de cursos, o Provão, foi bombardeado nesta segunda-feira pelos participantes do primeiro debate sobre o ensino superior promovido pelo governo petista. Cerca de 650 estudantes, professores e reitores participaram do seminário Avaliar para quê? Avaliando as Políticas de Avaliação Educacional , realizado no auditório da Academia de Tênis de Brasília. O Ministério da Educação deixou claro, no entanto, que o Provão será mantido neste ano."É impossível se avaliar com uma prova todo o sistema de ensino", disse o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Rodolfo Pinto da Luz, representante da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). A professora Vera Chaves, do Sindicato Nacional dos Professores (Andes), defendeu a suspensão imediata das provas. "O provão não foi discutido, mas imposto pelo governo Fernando Henrique Cardoso", afirmou.O secretário de Ensino Superior do MEC, Carlos Roberto Antunes, disse que o governo propõe um aperfeiçoamento e novas formas de avaliação.Nos próximos dias, o ministério vai instalar uma comissão de especialista para analisar o assunto. A decisão do MEC em abrir o debate sobre a avaliação foi aprovada pelos participantes do seminário. O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Felipe Maia, ressaltou que, mesmo com a manutenção das provas neste ano, a disposição do governo em dialogar. "O provão traz mais prejuízos que se não tivesse nenhuma avaliação." Única a usar o microfone para defender o provão, a antropóloga Eunice Durham criticou a posição consensual da mesa contra o sistema de avaliação implantado em 1996. "Eu tenho medo que se acabe com um instrumento que revela, não só limitações, mas pontos favoráveis à melhoria do ensino", disse. "O fim do provão é um desserviço para o conhecimento e o País." Eunice Durham salientou que o seminário teve poucas "vozes discordantes". Para ela, sem o atual sistema se criaria um "buraco" na avaliação dos cursos. A curto prazo, segundo a antropóloga, não há viabilidade em fazer outro tipo de acompanhamento da qualidade dos 25 cursos superiores em funcionamento no País. Uma boa parte dos cursos considerados ruins pelo provão está nas instituições privadas, disse.A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Wrana Panizzi, ressaltou a "coragem" de Eunice Durham em apresentar sua posição a um publico contrário ao provão. Ela considerou, porém, que o governo dispõe de dados e meios capazes de apresentar uma radiografia mais ampla dos cursos. A UFRG é a instituição com maior número de cursos com nota A na história do provão. "A única unanimidade na questão é a importância de discutir a melhor forma de avaliar o ensino superior."

Agencia Estado,

07 de abril de 2003 | 20h32

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