A reestruturação da rede vai garantir melhora no ensino?

A reestruturação da rede vai garantir melhora no ensino?

Mudança, anunciada pelo governo Alckmin, prevê a reorganização das escolas estaduais para que tenham somente um ciclo

O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2015 | 03h00

Atualizada às 14h36 do dia 29 de outubro de 2015

Sim. Não é o único fator, mas pode ajudar. A reorganização é uma medida logística e administrativa importante para uma rede que tem estrutura para muito mais alunos do que efetivamente tem matriculados. Existem lugares ociosos e reorganizar permite liberá-los para outras finalidades. Do ponto de vista da gestão escolar, é uma medida extremamente positiva e demonstra que o poder público está zelando pelo que é público. A escola precisa ter um uso racional, não pode estar cheia nem subutilizada. 

Essa é uma medida de racionalização administrativa. É evidente que todo mundo quer mudança, mas ninguém a quer na própria escola. Não se faz mudança agradando a todos, mas pensando no que diminui o desconforto da maioria.

GUIOMAR NAMO DE MELLO, INTEGRANTE DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

Não. A medida não se apoia na melhora da qualidade, mas na economia de recursos. É lastimável que se planeje o fechamento de escolas quando temos unidades superlotadas. Não é racionalização de recursos, mas, apenas, economia. Se existem espaços ociosos, deveriam aproveitá-los para termos turmas com menos alunos, que isso, sim, traz melhora no desempenho.

O que garante a melhora do ensino são as condições de trabalho e a valorização dos professores. O exemplo anterior que temos, da reestruturação da década de 1990 que reduziu escolas estaduais, nos mostra que menos unidades não resultam em melhor qualidade. É ainda lamentável que essa medida não tenha sido discutida com especialistas, professores e a comunidade.

MARIA MÁRCIA MALAVASI, PROFESSORA DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

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