De coadjuvante, filosofia passa a curso principal

Filosofia não é mais a segunda opção de quem já tem um diploma universitário. Hoje, o curso é a primeira graduação de jovens que pretendem trabalhar como professores ou redatores de revistas especializadas em política e cultura. Em uma conversa com o professor de História da Filosofia Moderna e Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP) Franklin Leopoldo e Silva, 55 anos, o estudante Ruy Lewgoy Luduvice, 17 anos, que terminou o ensino médio na Escola Nossa Senhora das Graças, e passou para a segunda fase da Fuvest da Fuvest, ficou sabendo mais dos desafios da profissão. Segundo o professor, a leitura é fundamental na profissão. Além disso, é preciso saber ler em inglês e francês. Ruy - Como está o mercado de trabalho? Franklin - Ser professor é ainda a principal garantia de emprego para quem se forma em filosofia, porque tanto as escolas quanto as universidades precisam desses profissionais. As revistas especializadas em política e cultura também têm contratado muita gente, mas é uma área que oscila muito. E quem se especializa em campos ligados à estética ainda pode trabalhar nos institutos culturais. Ruy - Os títulos são indispensáveis para quem deseja ser professor? Franklin - Quem quer ser professor de ensino médio precisa fazer pelo menos pós-graduação. Já para dar aulas em universidades é preciso fazer mestrado e depois doutorado. Ruy - É importante fazer outro curso que complemente filosofia? Franklin - Antigamente, eram as pessoas formadas em outros cursos que mais procuravam filosofia. Um advogado que estuda filosofia, por exemplo, tem mais recursos intelectuais para exercer sua profissão. A visão filosófica também é importante para os terapeutas. Hoje, porém, as pessoas cursam filosofia e, depois, se decidirem atuar em outros campos de trabalho, é que resolvem que outros cursos vão fazer. Ruy - Qual a importância da leitura? Franklin - Esse é um dos maiores impactos para quem está acostumado com a pequena carga de leitura das escolas. Na faculdade, além da grande quantidade de textos para ler, os alunos têm dificuldades porque a linguagem é mais complexa. Os professores aconselham os alunos a organizarem seus horários para que tenham um dia da semana para estudar. Ruy - Os alunos que tiveram filosofia na escola têm mais facilidade? Franklin - Depende da filosofia que eles tiveram. Muitas vezes os cursos oferecidos nas escolas são apenas uma aula de "livre pensar". Na universidade há um embasamento teórico muito maior. Mas, se o aluno chegar com o hábito de ler, terá mais facilidade. Ruy - É importante saber línguas estrangeiras? Franklin - A literatura filosófica no País é muito boa e os livros mais importantes já estão traduzidos. Mesmo assim, os alunos precisam ler autores que comentam as grandes obras e esses livros não têm traduções.

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