Beto Barata/AE
Beto Barata/AE

De camelô a assessor

Dennys vendia bugigangas em Brasília; hoje trabalha com o ministro Ricardo Lewandowski

Mariângela Gallucci, de O Estado de S. Paulo,

29 Maio 2012 | 01h48

BRASÍLIA – “Meu exemplo é o de que a educação é um fator de ascensão social”, diz Dennys Rodrigues, de 32 anos. Na adolescência, ele vendia bugigangas do Paraguai no centro de Brasília. Hoje, formado em Direito, assessora o ministro Ricardo Lewandowski na análise de processos do Supremo, entre eles o do mensalão.

 

Filho de uma costureira e um pintor, Dennys nasceu em Parnaíba (PI). Criado em Brasília, cursou escola pública. No vestibular, não conseguiu vaga na UnB, que tem cotas para negros e índios, mas não para egressos da rede pública. Estudou na Universidade Católica de Brasília. “Escolhi Direito por achar que poderia ser útil à sociedade.”

 

Dennys, cujo primeiro emprego com carteira assinada foi de vendedor em loja de ferragens, trabalhou de office boy e auxiliar administrativo até entrar no STF, por meio de concurso para cargo de nível médio. “Ficava na Secretaria Judiciária. Batia carimbo, carregava processo, juntava petições.”

 

Após a faculdade, fez concurso para o cargo de assessor de nível superior, cujo salário varia de cerca de R$ 7,5 mil a aproximadamente R$ 13 mil. Cumprindo uma média de 8 horas diárias de trabalho, anda ocupado com a ação do mensalão e com o inquérito sobre o senador Demóstenes Torres.

 

Pai de Pedro, de 7, Dennys afirma que o garoto não fala em seguir sua carreira. “Ele quer ser mágico. Queria que fosse jogador de futebol. Compro meião, bola, mas não adianta”, brinca.

Mais conteúdo sobre:
STF Direito

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.