Colégio Humboldt
Colégio Humboldt

De apoio psicológico a aspectos do prédio, novos fatores afetam a escolha de escola

Pandemia evidenciou outros pontos a serem observados na hora de decidir onde vão estudar crianças e adolescentes

Ocimara Balmant e Alex Gomes, especiais para o Estadão

28 de outubro de 2021 | 05h00

Escolher a escola em que os filhos vão estudar nunca foi tarefa fácil. Afinal, é o ambiente capaz de firmar (ou abalar) as bases nas quais a criança e o adolescente constroem suas competências profissionais, intelectuais e até emocionais. Mas o processo ficou mais complexo. Aos fatores que influenciavam a decisão – projeto pedagógico, infraestrutura, localização e custo – somam-se questões advindas da pandemia.

Entre os itens que deverão estar nas análises de mães e pais estão: o modo com que tecnologias envolvem o aprendizado dos estudantes; as condições estruturais para lidar com novas necessidades sanitárias; a atenção ao psicológico para lidar com os impactos da pandemia; e a formação e valorização dos educadores para atuar nesse novo contexto.

É consenso que a pandemia trouxe não somente prejuízos ao aprendizado, mas também à saúde mental de crianças e adolescentes. Uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra os efeitos do isolamento social nessa população. Os dados divulgados apontam que 22% dos adolescentes e jovens brasileiros de 15 a 24 anos se sentem deprimidos ou têm pouco interesse em fazer as coisas. 

Seja em consultórios de médicos ou psicólogos, nas famílias ou em publicações nas redes sociais, multiplicaram-se histórias de crianças e adolescentes com irritação, sensação de cansaço e ansiedade, agressividade, tristeza e até pensamentos suicidas. É esse estudante fragilizado que o colégio receberá e para o qual deverá prover, acima de tudo, acolhimento e escuta. Se havia alguma dúvida de que a escola é um local de proteção e sociabilidade, agora já não há mais.

No Colégio Humboldt, o apoio socioemocional que fazia parte do programa pedagógico foi reforçado na pandemia e seguirá com a nova sistematização. Todas as turmas já contavam com um professor tutor e um orientador educacional responsáveis pelas salas. A proposta agora é que a dupla trabalhe cada vez mais integrada e que haja também um aumento nas interações desses educadores com as responsáveis por outras turmas.

O objetivo é identificar semelhanças comportamentais em alunos de idades diferentes e traçar planos de ação. “A pandemia mostrou como é urgente investir na qualificação do acompanhamento socioemocional, com mais reflexões conjuntas e trabalhos que contemplem tanto o bem-estar do grupo como a atenção individualizada para detecção daqueles que possam necessitar de apoios terapêuticos externos”, diz Erik Hörner, vice-diretor do Colégio Humboldt.

Hörner conta que, no retorno ao presencial, os educadores têm encontrado alunos de séries avançadas com comportamentos de crianças menores. Por passarem tanto tempo confinados no ambiente familiar, muitos perderam os filtros necessários na socialização com os colegas. “Em relações familiares há uma maior permissividade entre, por exemplo, pais e filhos ou netos e avós”, conta o vice-diretor. “Temos casos de estudantes do 7.º ano em que as noções de brincadeiras saudáveis, sem agressão, como tapas e gritos, tiveram que ser retrabalhadas. É algo típico da pedagogia que fazemos com crianças pequenas e que tivemos de voltar a aplicar com os maiores.”

Trabalho em conjunto entre educadores e família

 Se até o início de 2020 o contato de algumas famílias com a escola se resumia às reuniões, pais e educadores precisaram trabalhar juntos para minimizar os prejuízos da falta de aulas presenciais. Para a maioria, não foi fácil conciliar o home office com o acompanhamento do estudo dos filhos. No entanto, não há dúvidas de que a parceria é promissora, com resultados positivos no aprendizado. 

No Colégio Equipe, o engajamento da família faz parte do projeto pedagógico. Em algumas atividades, ela é até protagonista. “É o caso dos trabalhos voltados à orientação profissional. A partir das profissões apontadas pelos alunos, convidamos pais e mães que atuam nas áreas a partilhar conhecimentos e reflexões sobre o mercado”, diz Luciana Fevorini, diretora do Equipe.

O colégio também aposta na colaboração com as famílias para buscar soluções ante desafios complexos. Preocupados com temas como uso de drogas, os pais organizaram uma comissão para desenvolver uma ação de conscientização em sinergia com o colégio. “As famílias e a escola são responsáveis por auxiliar os jovens nas escolhas, e questões que envolvem a saúde deles têm de ser uma preocupação de todos”, afirma Luciana.

A convivência com a covid-19 tende a ser longa, o que torna necessário não só vacinações periódicas, como protocolos de segurança sanitária duradouros. Para as escolas, isso envolve a reconfiguração dos espaços. Na Carandá Educação, a construção de uma nova sede permitiu realizar adequações. Inaugurado em agosto de 2021, o prédio no bairro de Mirandópolis, na zona sul da capital, tem assinatura do escritório Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados, responsável pela construção do Sesc Avenida Paulista.

As salas de aula têm janelas em dois lados para permitir a ventilação cruzada. O acesso aos ambientes se dá por amplos terraços, substituindo corredores que favorecem aglomerações. “Podemos organizar as turmas para fazerem as atividades nos múltiplos espaços abertos. Nas refeições, podem usar áreas de qualquer andar”, diz Milena Palma, diretora administrativa da escola.

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