Danos em escolas de SP ocupadas custarão R$ 1 milhão, diz governo

Somente no fim de semana, houve registro de crimes em seis unidades já esvaziadas

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

29 Dezembro 2015 | 21h08

SÃO PAULO - O governo de São Paulo estima em R$ 1 milhão o prejuízo decorrente de furtos e depredações durante ou após as ocupações das escolas no Estado. Segundo a Secretaria da Educação, houve avarias em 72 escolas. As ocupações atingiram 196 unidades - nesta terça-feira, 29, alunos ainda estavam em 13. Uma entidade estudantil diz que o governo quer “criminalizar” o movimento.

A pasta da Educação argumenta que o valor divulgado ainda é uma estimativa. O levantamento ainda estaria sendo feito pela direção de cada uma das escolas e não incluiria as perdas com merendas.

Somente neste fim de semana, “seis unidades localizadas nas regiões de Bauru, Pirassununga, Guarulhos, Campinas e na zona leste da capital registraram ocorrências de furto, depredação e vandalismo”, diz a secretaria em nota. O governo informou que todos os casos serão investigados pela polícia.

De acordo com nota da pasta, esses seis episódios aconteceram entre os dias 23 e 27 de dezembro, após as escolas serem desocupadas. Há casos de furtos de computadores, notebooks, radiocomunicadores e eletrodomésticos, segundo o governo. Na escola Conselheiro Crispiniano, em Guarulhos, houve ainda a destruição de objetos da secretaria, das salas de coordenação e de equipamentos de festas da unidade.

Em apenas uma escolas, a Coronel Antônio Paiva de Sampaio, em Osasco, na região metropolitana, a secretaria já havia divulgado que o prejuízo com a invasão da unidade ficaria em cerca de R$ 250 mil.

A escola, que ficou 15 dias ocupadas, teve pelo menos pelo menos dez computadores, duas televisões de LED e 15 tablets roubados na noite de 30 de novembro. 

Estudantes que participavam das ocupações afirmaram que a escola foi invadida e destruída por “pessoas estranhas” ao movimento, o que provocou a saída de muitos estudantes. A Polícia Militar entrou na escola e soltou bombas. A ocupação acabou após o episódio.

Reforma. Para o advogado Victor Grampa, que defende a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), houve casos de depredações de escolas após a saída dos estudantes e a maioria das unidades foram beneficiadas pelas ocupações. “Essa divulgação faz parte do movimento de culpabilização e criminalização dos estudantes. Se forem contabilizar as escolas que foram pintadas, em que houve pequenas reformas, esse número seria diferente”, defende. “É importante lembrar que o governo declarou guerra contra ocupações.”

Grampa se refere ao áudio, tornado público, em que o chefe de gabinete da Educação, Fernando Padula, fala a dirigentes regionais sobre a “tática de guerra” para “desqualificar” as ocupações, que aconteceram em oposição ao projeto de reorganização da rede estadual. A mudança previa o fechamento de 93 escolas e a transformação de 754 prédios em unidades de ciclo único (em que há só alunos de 1.º a 5.º ano, 6.º ao 9.º ou ensino médio). O governo voltou atrás e revogou a implementação do projeto em 2016. O governo promete debatê-lo no ano que vem.

Sobre as ocupações ainda ativas, a secretaria informa que continua a enviar as equipes das diretorias de ensino para dialogar com os manifestantes.

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