Dai o turismo aos turismólogos

Os títulos para este artigo poderiam ser vários: ?No turismo, continua tudo no oba-oba!?; ?Quem tem boca vai a Roma? ou, ainda, ?Quem espera sempre alcança!? Mas o que interessa mesmo aqui é o desabafo. Ou a indignação.Já começou um novo ano letivo e olhamos as carinhas ansiosas e felizes dos nossos alunos de Turismo e imediatamente somos remetidos a uma questão bem antiga: o reconhecimento da profissão do turismólogo (ou theorólogo) no Brasil.Brincamos o ?jogo do contente? quando a verdade se desnuda à nossa frente. Não temos mais tempo para brincadeiras. Dai a César o que é de César e o turismo aos turismólogos indignados com mais de 30 anos de formação e profissão.São eles que carregam nas costas o ônus de terem sido os primeiros, os bandeirantes, os desbravadores, aqueles que por anos a fio agüentaram chacotas e desafetos. Enfim, foram eles que, como formiguinhas, trabalharam para que o turismo desse certo no Brasil, assim como a infinidade de instituições de ensino superior voltadas ao setor, a começar por aquela que primeiro se instalou no Morumbi.E não pára por aí! Em todos esses anos vêm sendo colocados na estrada milhões de bacharéis em Turismo, sem carteirinha de classe, sem conselho, sem reconhecimento. Qual é a verdade da história da profissão? Por que ainda se nega esse direito adquirido em 30 anos de saber, pesquisa e disseminação de conhecimento?Na realidade, é difícil convencer as pessoas... O turismo é multidisciplinar, mas sempre tem alguém que o acha ?parecido? com administração, com geografia, com cultura e por aí afora.Sempre tem aquele que considera regulamentar uma profissão uma reserva de mercado, muitas vezes para incompetentes. Gostaria de saber quem foi o autor dessa brilhante teoria! Ela corre de vento em popa nas ?reuniões turísticas?. Será que se originou no mesmo local do programa Fome Zero?Não pode ser, seria uma grande incoerência! Tão grande quanto achar que o turismólogo, oficialmente falando, somente deverá ser chamado de ?bacharel em Turismo?. Chamemos, então, nossos profissionais e pesquisadores da saúde de ?bacharéis em Medicina? para ver o que acontece!O ano de 2004 é um ano político ? não nas esferas que nos interessa, mas quem sabe? Quem espera sempre alcança! Ou, então, irei aproveitar e aplicar os ensinamentos botânicos de minha tataravó índia e começar a curar doenças. É o que vem acontecendo no turismo.De qualquer forma, estou fazendo a hora e não deixando acontecer.* Turismóloga, coordenadora de curso superior de Turismo e consultora em Turismo e Evento - e-mail janbrito@directnet.com.br

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