Cursos mais novos entram direto em grupo de vistoria do MEC

Atenção deve-se aos conceitos excessivamente baixos obtidos no Enade por alguns cursos superiores

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

07 de agosto de 2008 | 20h41

A lista dos piores cursos superiores nas áreas de ciências da saúde e agrárias, divulgada na quarta-feira, 6, pelo Ministério da Educação, inclui 168 que ficaram sem conceito na primeira avaliação, em 2004, porque ainda eram tão novos que não haviam formado a primeira turma. Apesar do pouco tempo de existência, já na primeira avaliação completa, este ano, entraram direto no grupo que vai sofrer uma vistoria do MEC por conta dos péssimos resultados no Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade).   Veja também:  MEC vai fazer vistoria em 508 cursos com baixa nota no Enade  Desempenho dos cursos superiores    Dos 508 que passarão por uma vistoria este ano, 28 são das áreas de biomedicina, tecnologia em radiologia e tecnologia em agronegócio, que não eram avaliados em 2004. Dos 480 restantes, 35% formaram a primeira turma e caíram direto na lista dos piores nas áreas avaliadas.   Enfermagem, a área que mais cresceu - passou de 196 cursos avaliados para 540 em apenas três anos - também é a que tem mais cursos novos entre os que serão vistoriados, 55. Um deles, da Faculdade Cidade de João Pinheiro, no município de mesmo nome (MG), ficou com 1, o pior Conceito Preliminar de Curso (CPC) da área, e também Enade e IDD - o índice que avalia o conhecimento agregado ao aluno - 1. Foi criado em setembro de 2002, sua primeira turma de formandos saiu apenas este ano. E fez uma média de menos de 30% na prova.   Outro curso novo CPC 1 é do Instituto Paraibano de Ensino Renovado, de João Pessoa, na área de fisioterapia. Criado em 2002, a média dos sete concluintes que fizeram a prova foi de 31,1% da prova. Dos ingressantes, 34%.   Dos 168 cursos novos que ficaram na malha fina do MEC, 165 tiveram conceitos 2 no CPC. A Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), de Minas Gerais, é que tem mais cursos nessa situação. São 12, nas áreas de Farmácia, Educação Física, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Nutrição. Com mais de 100 cursos participantes no Enade deste ano, a instituição teve, no total, 17 que caíram na malha fina. Apesar de ser privada, a Unipac é vinculada ao Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais graças a um artigo da constituição do Estado que está sendo contestado no Supremo Tribunal Federal. Graças a isso, tem crescido velozmente e já tem mais de 800 cursos.   Este ano, 1.110 cursos avaliados também ficaram sem conceito. Alguns por problemas de preenchimento do cadastro ou atraso no repasse das informações. A maioria por serem ainda mais novos e não terem tido formandos para fazer o Enade. Dessa vez, todos serão vistoriados in loco, da mesma forma que os 508 que ficaram como os piores do País.

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