Daniel Spalato
Daniel Spalato

Cursos intensivos nas férias ajudam a acelerar aprendizado de idioma; veja opções

Profissionais aproveitam os dias de folga para o estudo de língua estrangeira; há opções de aulas de 3 até 13 horas diárias

Luciana Alvarez, Especial para o Estado

27 Junho 2017 | 03h00

Para quem tem pressa em aprender um novo idioma, tirar as férias de julho apenas para descansar está fora de cogitação. Aproveitando que têm mais tempo livre, muitas pessoas optam por se matricular em cursos intensivos, preparatórios mais puxados para exames de certificação ou imersões em línguas estrangeiras. Há opções de aulas de 3 até 13 horas diárias. Os resultados, contudo, só são garantidos se houver de fato empenho no estudo. 

O administrador André Morais, de 29 anos, tinha pressa em aprender inglês para conquistar oportunidades melhores na carreira. “Quando eu era mais novo, minha família não teve dinheiro para pagar uma escola de inglês. Estudei por conta própria e até conseguia me virar bem na conversação. Mas os processos seletivos de grandes empresas exigem provas escritas de inglês, algo para o que eu não estava preparado”, conta. 

Ele começou a estudar formalmente já adulto, em um curso regular na Cultura Inglesa, conciliando trabalho e estudos. “O problema é que o mercado não espera. Depois de uma grande frustração, fui reprovado em um processo seletivo por causa do inglês, decidi fazer o intensivo nas férias para melhorar mais rápido”, diz. Com quatro horas de estudo de segunda a sexta-feira, ele avançou um semestre em um mês. “É extremamente puxado e exige um tempo de dedicação além da sala. Para dar certo, você precisa ter seu objetivo muito claro.” 

O empenho recompensou. Após o intensivo, ele se manteve estudando e logo conseguiu um emprego no qual o inglês era imprescindível. Agora, está arrumando as malas para fazer uma pós-graduação em Ohio, Estados Unidos. “Antes eu sentia que todos os meus colegas falavam melhor, que eu estava atrasado. Hoje sinto que tenho a base necessária para estudar gestão em uma excelente faculdade americana”, afirma.

Segundo o gerente acadêmico da Cultura Inglesa, Vinícius Nobre, o perfil de André é o mais comum entre os que procuram o intensivo de férias: adultos que têm pressa em aprender inglês por questões profissionais. “Mas há também um grupo mais jovem, que quer se preparar para um intercâmbio ou para imigrar. E sempre tem aqueles que se matriculam simplesmente porque são apaixonados pelo idioma e não querem parar nem nas férias.” 

Nobre garante que essa “mini-imersão” nas férias dá excelentes resultados, mas sempre recomenda que os aluno mantenha a exposição ao inglês também em contextos informais, como assistir a um filme ou ouvir música. “O processamento cerebral é diferente em um contexto de relaxamento e contribui para o aprendizado”, explica o gerente acadêmico da Cultura Inglesa.

A tendência no Brasil é a procura por cursos de línguas nas férias crescer, diz Lourdes Zilberberg, diretora de internacionalização da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap). A instituição oferece nas férias cursos preparatórios para exames de certificação de língua inglesa e, a cada ano, a procura só tem aumentado.

“Os cursos também são oferecidos durante o semestre, mas nas férias o aluno vê o resultado mais rapidamente. Ao estudar idiomas em julho ou janeiro, o estudante aproveita para se concentrar nisso, o queacelera a evolução.”

Lourdes acredita que todo tipo de cursos de férias deve crescer, não apenas os de idiomas. “No Brasil, ainda não há uma cultura de cursos de férias como os summer courses das faculdades dos Estados Unidos e Europa. Mas é uma tendência mundial, porque a gente não acaba nunca de aprender. É bom aproveitar o tempo nas férias para fazer algo que na correria do dia a dia você não consegue.”

Dentro e fora da sala de aula

Todo mundo que decide aproveitar julho para estudar uma língua estrangeira deve antes saber que, apesar do nome do curso ser de “férias”, a exigência será grande. Elena Barcellós, porta-voz do Instituto Cervantes de São Paulo, aconselha que o estudante separe algum momento diário em casa para entrar em contato com o idioma, fazendo atividades extras como assistir a TV, ler jornais ou conversar.

“O aluno precisa estar consciente das suas possibilidades de estudo, de que há um esforço necessário além da hora de aula. Em qualquer idioma, para se alcançar fluência são necessárias cerca de 3 mil horas, o que nunca é cumprido apenas dentro de classe”, diz a porta-voz do Instituto Cervantes de São Paulo. Ali, o curso intensivo em julho conta com três horas diárias de aulas.

Para além de aumentar o tempo de contato, as atividades autônomas do aluno ajudam o novo conhecimento a se tornar relevante, o que faz o cérebro consolidar o aprendizado. “O idioma sem uso não serve para nada. A gente só aprende em contexto, na vida real”, diz Elena. Para muitos alunos, no período das férias fica mais fácil realizar essas atividades extras. “Se a pessoa chega em casa cansada, depois de trabalhar e estudar, se tem outras prioridades, é impossível se dedicar tanto.” 

Mas mesmo quem não consegue arrumar na agenda um momento para se dedicar em casa pode se beneficiar dos cursos intensivos em julho, garante Patricia McKey, diretora pedagógica do Cel.Lep. “É muito comum o aluno não ter tempo para estudar fora da escola. No intensivo, o contato diário de quatro horas aciona no aluno uma capacidade de pensar em inglês. Por isso, o curso é sempre muito produtivo. A assimilação chega a ser melhor do que no regular.” 

Segundo Patricia, a certeza dos bons resultados no intensivo de férias é que, mesmo com a carga horária puxada, a taxa de desistência é menor do que nos cursos regulares. “Os resultados aparecem mais rápido, o que aumenta a disposição do aluno. Com mais disposição, ele aprende mais fácil. Uma coisa vai alimentando a outra”, explica. 

A coordenadora do Cel.Lep também diz que o intensivo de férias é visto como uma oportunidade sobretudo em momento de crise, e até gente que perdeu o emprego recentemente aproveita a época para acelerar o aprendizado no idioma. “O inglês passa a ser um diferencial mais importante. E as pessoas estão com muita vontade de estudar, analisando onde o investimento vai ter mais retorno.”

Inglês 24 horas

A imersão é outra opção procurada por quem tem pressa em ganhar fluência. Como são programas rápidos, entre três e cinco dias, dá para optar por uma imersão praticamente todos os meses do ano. No período das férias em julho, o English Camp oferece um programa especial para as famílias em que todos querem se aperfeiçoar no inglês. “O English Camp começou há mais de 30 anos para crianças e adolescentes. O próprio programa de imersão para adultos foi pensado a pedido dos pais. Mais recentemente, fizemos o programa família”, explica Silvia Urioste, porta-voz da escola. 

Apesar do nome, o programa não é um passeio de férias em família. Crianças ficam no acampamento com as outras crianças, e os pais ficam no espaço destinado aos adultos. “São propriedades uma ao lado da outra, então os pais podem ir ver os filhos a qualquer hora. Mas as atividades são todas separadas.” O objetivo de uma imersão é fortalecer a conversação, aplicando conhecimentos da língua que o aluno já possui. “São 13 horas de inglês por dia; a programação começa às 7h30 e não tem horário livre.” 

Ainda que o programa seja puxado, a experiência costuma ser prazerosa. “Apesar do esforço intelectual, a imersão traz uma sensação de descanso, porque você está isolado de toda a rotina, do trânsito, das outras preocupações”, diz Silvia.

Imersão Total Berlitz

Curso: Nas unidades da cidade de São Paulo, há opções de imersão em diversos idiomas: francês, espanhol, japonês, alemão, italiano, húngaro, holandês, turco e português para estrangeiros. Nas demais escolas da rede, apenas em inglês.

Duração: De segunda a sexta, das 9 às 18 horas 

Custo: Sob consulta 

Site: berlitz.com.br

Faap - Preparatórios para iBT e Ielts

Curso: Inglês - níveis intermediário e avançado

Duração: De segunda a quinta, das 19 às 21 horas

Custo: R$ 1.210 (em até seis vezes) 

Site: faap.br/idiomas

Programa Família English Camp

Curso: Inglês - Famílias com crianças a partir de 8 anos; todos os níveis

Duração: De 5 a 15 dias - atividades das 7h30 às 20h30

Custo: Sob consulta 

Site: englishcamp.com.br

Superintensivo Cel.Lep

Curso: Inglês - todos os níveis 

Duração: 4 horas de segunda a sexta

Custo: Sob consulta 

Site: cellep.com

Intensivo de Férias Cultura Inglesa

Curso: Inglês - todos os níveis

Duração: 4 horas de segunda a sexta

Custo: Sob consulta 

Site: culturainglesasp.com.br

Intensivo do Instituto Cervantes

Curso: Espanhol - todos os níveis

Duração: 3 horas de segunda a sexta

Custo: Sob consulta 

Site: saopaulo.cervantes.es

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Depoimento: ‘Em um mês, meu inglês foi do intermediário para o avançado’

Nelma Nonato, consultora de Tecnologia da Informação, fez um módulo super intensivo na escola Berlitz

Nelma Nonato, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2017 | 03h00

“Tinha voltado a estudar inglês fazia menos de um ano quando, em dezembro, optei por um módulo super intensivo na escola Berlitz. Eu tirei um ano sabático, e dezembro era meu último mês antes de voltar ao trabalho. Estava com inglês intermediário e um mês era o tempo que eu tinha para dar uma guinada. Além disso, o investimento foi atrativo: ficou mais barato do que cursar de forma regular. 

Eu fazia oito horas de curso todos os dias da semana, com intervalo para o almoço. O bom de ficar tanto tempo imerso é que você começa a pensar em inglês, força o cérebro a raciocinar no outro idioma. Pelo método da escola, eles intercalam os professores, então a cada uma hora tem outra pessoa, outro assunto, o que dá uma dinâmica boa. Claro que é cansativo, mas é possível. 

Trabalho com TI (Tecnologia da Informação), sou consultora autônoma do sistema SAP, e percebi que perdia oportunidades por não saber me comunicar em inglês. Muitas vezes no projeto nem é realmente necessário o inglês, mas por causa da crise há poucas vagas e muitos profissionais. Então, o mercado quer o melhor do melhor e aumenta as exigências. A gente tem de atender ao que o mercado pede.

Ainda não me vejo como fluente, mas há uma certa confusão no Brasil entre fluente e avançado. Hoje me sinto segura em mandar currículos para trabalhos que pedem inglês fluente. Recentemente me candidatei até para oportunidades no exterior, algo que eu não faria um ano atrás. Meu próximo passo é fazer um intercâmbio, ficar seis meses na Austrália ou na Irlanda. O aprendizado não pode terminar nunca. Sei que se eu parar todo o meu investimento nessa imersão vai ser perdido. Meu objetivo era profissional, mas falar bem inglês é algo que me dá muita satisfação pessoal também.” 

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