Curso sobre zumbis ensina como agir em tragédias

Universidade dos EUA inaugura disciplina a distância que desafia alunos a sobreviver

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

01 Março 2012 | 18h02

O professor Glenn Stutzky planeja oferecer aos universitários uma nova forma de aprender sobre o comportamento humano em tragédias - isto é, se sobreviverem aos zumbis.

Começa em 14 de maio a primeira edição de "Sobrevivendo ao Vindouro Apocalipse Zumbi: Catástrofes & O Comportamento Humano", curso de sete semanas da Escola de Serviço Social da Universidade Estadual do Michigan (MSU). Realizado inteiramente pelo computador, terá 200 vagas e pode receber alunos brasileiros.

"Tive a ideia quando vi que o governo americano usa o tema de zumbis para falar sobre preparação para emergências", contou Stutzky ao Estadão.edu. O Centro para Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) tem uma página informando como se planejar para uma epidemia zumbi - não por acaso, as mesmas recomendações para qualquer tragédia: ter um kit de emergência em casa, com água e cópias de documentos; identificar outros desastres possíveis, como enchentes e furacões; e traçar uma rota de fuga para quando for a hora de sair da cidade. O interesse nos zumbis foi tão grande que o site do CDC chegou a sair do ar, tamanho o número de acessos. "É uma abordagem engraçada, mas se as pessoas vão ao site talvez fiquem e absorvam a informação", pensa Stutzky.

Não por acaso, o professor é um fã de zumbis. Gosta dos filmes A Noite dos Mortos-VivosDespertar dos Mortos e dos primeiros trabalhos de Sam Raimi, como a A Morte do Demônio. Raimi, aliás, foi aluno da Estadual do Michigan e largou justamente para fazer esse filme. Outra paixão do professor é a série de TV Walking Dead, atualmente na segunda temporada. "Não apenas pelos zumbis, mas tem um roteiro interessante e os atores são bons".

Também o curso tem um elemento cinematográfico. Com a ajuda do cineasta independente Christopher Irvin, Stutzky produziu dois trailers - um de dois e outro de oito minutos - e pôs no YouTube. "Foram 16 horas de filmagem em duas noites para produzir esses vídeos", contou o professor. "Cansado, esqueci no saguão da faculdade uma bolsa grande com roupas sujas de sangue falso. No dia seguinte, os zeladores, que sabiam do filme e nos ajudaram, me disseram: 'Ainda bem que fomos os primeiros a chegar no prédio!". É um zelador, aliás, quem faz o papel do zumbi.

Irvin é membro da equipe de ensino a distância da MSU. Para o curso de zumbis, o professor contou com mais dois produtores: um que desenhou o cartaz e uma funcionária que trabalha com mídias sociais.

Como funciona. O curso mistura aulas e simulação. Os alunos serão divididos em grupos de seis ou sete, e receberão um grupo de personagens - cada grupo estará em um local diferente dos Estados Unidos. "Eles vão receber um pacote de informação explicando o que acabou de acontecer, e, durante a primeira semana do curso, terão uma tarefa por dia, enfrentando dilemas morais e práticos", explica Stutzky. Como os alunos controlam todo o grupo, podem continuar jogando mesmo se algum dos personagens morrer. Uma das dificuldades será tomar decisões com pouca informação. "Imagine que estejamos em seis em um prédio e acontece uma catástrofe. Nem todo mundo reage da mesma forma, o comportamento humano não é um só".

O meio do curso é composto de leituras, questionários e fóruns de discussão. "Mas ainda assim, uma vez por semana, haverá uma tarefa em grupo", garante o professor. Os alunos deverão também manter um "diário do sobrevivente" registrando as experiências. Finalmente, nos quatro últimos dias, a simulação volta com tudo para uma "conclusão dramática" - nas palavras do próprio idealizador. 

A matrícula para não-alunos da MSU abre em 24 de março, e Stutzky planeja reservar 50 vagas para gente de fora. Interessados devem se juntar ao programa Lifelong Education da Estadual do Michigan e, de posse do número de matrícula, entrar em contato com o professor antes dessa data. A única coisa que pode assustar os caçadores de zumbis é o preço: um curso a distância semelhante, de sete semanas e dois créditos, custava no ano passado US$ 1.460 (quase R$ 2.500). Se um grupo inteiro de brasileiros (isto é, seis ou sete) se matricular, o professor sugere que a simulação para eles poderia se passar no Brasil. Resta saber em qual local do País os alunos gostariam de fugir de zumbis.

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