Robert Half
Robert Half

‘Curso deve ser coerente com a carreira’

Isis Borge, gerente de recrutamento, diz que as empresas têm espaço para diferentes perfis

Entrevista com

Isis Borge

Gustavo Zucchi, Especial para O Estado

12 Dezembro 2017 | 05h00

Para quem quer garantir uma boa vaga no mercado de trabalho uma dúvida crucial pode surgir na hora de investir seu tempo e dinheiro em um curso de pós-graduação: que caminho é mais bem visto pelas empresas. Quem ajuda a responder essa pergunta é Isis Borge, gerente de recrutamento da Robert Half. Em entrevista ao Estado, a headhunter revela que as empresas têm espaço para diferentes perfis. O essencial é o futuro aluno saber que cargo deseja atingir.

O que as empresas procuram em termos de formação após a graduação?

Depende da função que a pessoa exerce. Se for mais técnica, uma graduação técnica como um mestrado, um doutorado, um PhD (sigla para Philosophiæ Doctor ou Doutor da Filosofia), é muito bem vista. Se for uma área administrativa, um pouco mais generalista, então um MBA, as especializações em negócios, são muito bem-vindas. Então depende um pouco da situação. Em todas as áreas hoje, quando uma pessoa tem experiência como gestor, também são muito bem vistas especializações em liderança, habilidades de Gestão, Recursos Humanos. No geral são essas vertentes.

O profissional que está procurando uma pós então tem de decidir antes o que ele deseja para o futuro?

Ele precisa ter um norte do que acha que quer hoje. É difícil, especialmente o jovem, saber o que quer com certeza, saber onde ele se imagina. A pessoa sabe se ela é mais analítica, mais focada em desenvolver alguma coisa ou mais expressiva, que quer transitar entre várias áreas.

Quando as empresas vão olhar para o currículo, elas se importam com o tipo de especialização que se fez: uma pós, um MBA ou um mestrado?

Existe um olhar para ver a coerência da carreira, tanto em relação ao que a pessoa fez em cargos que ela ocupou quanto ao lado acadêmico. Então, se a pessoa fez uma vertente de estudo muito distante do que ela atua no dia a dia, das duas uma: ou ela gosta daquilo e está tentando migrar para aquela área, e as empresas costumam ser abertas em relação a isso, ou se vai questionar o candidato. Existe esse questionamento, e é importante o candidato saber se explicar. Depende muito da coerência do que se fala.

Se o candidato almeja um cargo de gestão, o MBA então é o caminho que ele deve seguir?

Sim, justamente o MBA, nesse ponto da carreira, é o mais bem visto. Mas importante é ressaltar a questão do idioma: cada vez mais o inglês, principalmente, é um requisito que as empresas têm pedido. Algumas vão além, com o espanhol. Se ele for um analista, estiver na base da pirâmide, não tiver o inglês e tiver de optar entre o MBA e o idioma, é melhor fazer aula de língua. Mas, se ele almeja um cargo de gestão no futuro, o MBA vai ser um diferencial. 

O MBA é mais bem visto do que os cursos de especialização, então?

Sim, o MBA e todos esses cursos mais genéricos que dão uma pincelada em todas as áreas da empresa, de Gestão de Negócios, ajudam. E o MBA tem a questão do networking também. Ter contatos, uma visão mais ampliada de mundo, também ajuda o profissional. 

É importante a pessoa conversar com seus gestores para ver o que eles recomendam antes de começar um curso de pós-graduação?

Sim, com certeza. Existem empresas que até tentam subsidiar o curso do funcionário, direcionar a pessoa em gaps (dificuldades/lacunas) que se observam no dia a dia, e de repente o curso pode ser escolhido para suprir esse ponto. É legal ser aberto com o gestor, para ter um plano de carreira, definir em que áreas tem interesse, se almeja crescer, para ter uma ideia das perspectivas e saber quais são os requisitos que a empresa costuma exigir para o cargo que se pretende. Se fizer o curso na surdina e avisar, do dia para noite, que se matriculou no MBA, pode vir a descobrir que o gestor poderia ter ajudado. Perde-se uma oportunidade. 

Quando a gente fala de mestrado pensa em setor acadêmico. Como as empresas veem um profissional que tirou um período sabático para estudar?

Existe o perfil de quem se formou e automaticamente foi para o mestrado e a pessoa agora quer entrar no mercado de trabalho e de quem tirou um período para estudar. Se a pessoa não tiver nenhuma experiência no mundo corporativo, ela enfrenta um pouco mais de dificuldade. Precisa de (encontrar) uma empresa que valorize muito o intelecto. Agora se é uma pessoa que trabalhava em uma empresa e saiu por causa de um mestrado e quer voltar, rapidamente volta. A empresa vê com bons olhos porque vai usufruir daquele investimento. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.