Curso de Turismo virou graduação em 1971

Faculdade do Morumbi foi a pioneira; 400 candidatos disputaram as 240 vagas

Rose Saconi, Estadão.edu

25 Março 2014 | 03h00

"Se você também acredita no turismo do Brasil, junte-se a nós", dizia o anúncio do vestibular para Turismo em 1971. "Quem estiver disposto a participar do desenvolvimento turístico do Brasil, inscreva-se", desafiava a propaganda. Cerca de 400 candidatos atenderam a esses e outros apelos comerciais que divulgavam os aspectos positivos do setor e efetivaram a inscrição para o concurso do primeiro curso de graduação de Turismo no Brasil.

A Faculdade do Morumbi, hoje Universidade Anhembi-Morumbi, que tinha como mantenedora a Organização Bandeirante de Tecnologia e Cultura, foi a pioneira. O Estado noticiou: "Pela primeira vez no Brasil um estabelecimento de ensino superior decidiu encarar Turismo com a maior seriedade". E enfatizava: "A aposta da faculdade é que turismo hoje é um ‘grande negócio’. Um curso superior de Turismo pode propiciar bons empregos em vários setores profissionais".

Uma análise do perfil dos candidatos divulgada pelo jornal mostrou que as mulheres eram a maioria na disputa pelas 240 vagas oferecidas pela instituição. Os inscritos tinham, em média, 22 anos, e 23 deles já haviam feito Direito ou outro curso superior.

História. O turismo se desenvolveu primeiro na Europa e depois se expandiu para os países mais quentes, considerados centros promissores do setor. As discussões sobre a criação de um curso superior na área no Brasil começaram no fim da década de 1960, com o aumento de interesse por viagens e lazer. Sem uma graduação, os interessados tinham como opção apenas os cursos profissionalizantes rápidos, como os oferecidos pelo Senac.

"Há a necessidade de especialistas em turismo formados em curso superior para planejamento das atividades desse setor que se desenvolve no País como verdadeira indústria", defendia um representante da Embratur, no Estado, em 1969.

A graduação em Turismo surgiu no Brasil em um momento em que o País passava por grandes mudanças políticas, econômicas e sociais. Era a época do chamado milagre econômico, nos anos 1970.

Na década de 1980, alguns cursos foram fechados, marcando um período de certa estagnação. Até que surgiu o primeiro mestrado em Turismo, na Universidade de São Paulo (USP), e, na sequência, as primeiras produções acadêmicas, dissertações de mestrado e, depois, teses de doutorado.

A consolidação do curso ocorreu nos anos 1990, com a explosão do número de graduações de Turismo, estimulada também pelo crescimento da atividade e o aumento do número de instituições de ensino superior no País.

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