Curso de letras oferece várias opções profissionais

Quem imagina que um estudante de letras está destinado a ser professor ou poeta está enganado. Hoje, um universitário que se forma no curso pode atuar desde tradutor numa multinacional até como gerente de recursos humanos em uma indústria. Mas a maioria, afirma o professor João Adolfo Hansen, de 60 anos, acaba mesmo se apaixonando pela área do ensino. É o seu caso. Há 37 anos, quando não está em meio aos seis mil livros de sua biblioteca particular, ele dá aula de literatura brasileira no curso de letras da USP e acredita que o assunto representa "a possibilidade de uma nova vida". Sua paixão acabou convencendo o estudante Tomás Soares de Menezes Senna, de 17 anos, do Colégio Ofélia Fonseca, a fazer o vestibular de letras em vez de medicina. A Agência Estado acompanhou a conversa entre Tomás e o professor. Tomás - Por que você escolheu a profissão? João - Desde o ensino médio eu tinha certeza que queria estudar letras. Prestei vestibular em 1960 e não tive dificuldades porque naquela época o ensino público era muito forte. Para se ter uma idéia, fazíamos provas orais e escritas de latim, português, inglês e francês. Entrei na PUC de Campinas e depois fiz mestrado e doutorado na USP. Quais são as matérias básicas do curso de letras? A faculdade é dividida em cinco departamentos básicos. No primeiro ano, o aluno tem matérias como letras clássicas, língua portuguesa, teoria literária e lingüística. No final desse período, os alunos da USP são classificados de acordo com sua nota e os melhores conseguem vaga nos cursos mais concorridos como inglês, espanhol e alemão. Quem não fica entre os primeiros colocados tem de escolher cursos menos interessantes para o mercado de trabalho. A concorrência interna é alta? Não é como o vestibular, mas é alta. Antigamente os alunos entravam num determinado curso e formavam uma classe. Hoje eles estão dispersos e isso gera competição. Quais são as oportunidades de emprego para quem se forma em letras? Ele pode ir para a área de ensino, como professor do ensino médio e superior. Hoje existem muitas vagas em tradução e, além disso, a imprensa contrata algumas pessoas para escrever em cadernos culturais. Algumas indústrias também escolhem alunos de letras para a área de recursos humanos. Existem outras áreas relacionadas com o curso? Ele está ligado a matérias como história, antropologia, filosofia e Sociologia. Na USP, quem cursa letras pode assistir aula em outros departamentos e isso ajuda o aluno a conhecer mais disciplinas. O aluno que vai estudar letras deve ser um especialista em língua portuguesa? Seria fundamental não só dominar o Português, mas outras línguas. Quando eu estava na faculdade, os professores davam textos em francês e espanhol, e a gente tinha que dar um jeito de ler. Escrever bem é mais importante do que conhecer a gramática. Quais são as dicas para ser um bom profissional? Não existe fórmula. A pessoa tem de ser curiosa e ter senso crítico, para não ficar apenas reproduzindo o que ouve.

Agencia Estado,

08 de outubro de 2002 | 21h06

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