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Curso customizado é meio do caminho entre uma consultoria e curso aberto

Para Adriano Mussa, diretor acadêmico da Saint Paul Escola de Negócios, a grande vantagem é a customização: adaptar o conteúdo à realidade do cliente

Entrevista com

Adriano Mussa

Luiza Pollo, Especial para o Estado

28 Novembro 2016 | 18h28

Inicialmente uma consultoria, a Saint Paul Escola de Negócios passou a oferecer cursos in company antes de abrir turmas para o público geral. A educação corporativa, diz o diretor acadêmico Adriano Mussa, tem várias vantagens, mas há momentos em que os cursos abertos são os mais indicados.

Qual é a principal vantagem de uma empresa contratar um curso in company? 

A grande vantagem é a customização: adaptar o conteúdo à realidade do cliente. Se vou dar um curso aberto de análise de demonstrativos financeiros, abordo questões de vários segmentos. Mas há vários níveis de customização. Em nível mais básico, uso exemplos do segmento em que a empresa atua. Em um nível intermediário, posso usar dados abertos da própria empresa e fazer estudos de caso. Na customização mais avançada, aproveito o próprio sistema da empresa, até com informações confidenciais. 

Mas os alunos vão todos aprender fazer a análise? 

Os conhecimentos do curso customizado são imediatamente aplicáveis. No curso geral, o aluno fica com o papel de fazer uma analogia para a sua realidade. O curso in company é um treinamento, mas com cara de consultoria.  

E o que o diferencia de uma consultoria? 

A linha é tênue. Numa consultoria, vou descobrir coisas que você não sabe, mostrar novas práticas. Num curso, o foco é multiplicar boas práticas da empresa. E tem também uma preocupação com o conceito, com a teoria. Mas, na verdade, quanto mais avanço na customização, mais parecidos vão ficando. Mesmo num curso a gente acaba ensinando novas práticas, pois é essencial a oxigenação de ideias, mostrar outras possibilidades do mercado.  

Estudar com colegas é bom ou ruim?

Quando se junta 30 pessoas da mesma empresa, é quase uma discussão de trabalho - sai até briga. Mas se pode trabalhar o relacionamento interpessoal. Uma empresa grande que coloque junto diferentes áreas ganha em integração. Quando se está trabalhando, há certa cooperação, mas há também competição. Na aula relacionamento tem menos barreiras, pois não tenho entrega de trabalhos ou cobranças: está tudo mundo no mesmo barco. Muitas vezes, o objetivo principal de um curso corporativo é unir as pessoas.  

Há horas em que é melhor optar por cursos abertos?

Num nível muito alto, a importância do networking, de interagir com outros setores, aumenta. Quando a gente fala de C-level, faz menos sentido dar educação corporativa, até porque não costuma haver pessoas suficientes para formar turmas.  

Como as empresas devem escolher os funcionários que vão participar das formações? 

Quando a cultura da empresa é meritocrática, o processo de indicação para cursos costuma ser por mérito. Em uma empresa familiar, com uma estrutura mais paternalista, o critério costuma ser por tempo: a pessoa está há tantos anos no cargo, está na hora de fazer um curso. A escola se adapta aos alunos que receber. Em qualquer situação, o aluno deve abraçar a chance. Sobretudo quando se fala de cursos mais extensos, porque eles são oferecidos para preparar a pessoa para ocupar a próxima cadeira na hierarquia.  

Há pessoas que preferem não fazer cursos internos onde trabalham?

No curso in company, a prioridade é a da empresa, o que ela deseja aprimorar. Ao fazer fora, eu escolho o que eu quero trilhar. Mas fora isso, tem gente que não gosta de se expor no ambiente corporativo, um gestor que não quer estudar ao lado dos seus liderados. Tem muito diretor que, depois que fazemos um curso in company, vem procurar estudar o mesmo tema em um curso aberto. 

A crise afeta a educação corporativa? 

Em tempos de crise, ou em épocas em que a empresa está em dificuldade, os orçamentos acabam cortados. As empresas passam a sugerir que as pessoas busquem seu desenvolvimento individualmente. Consigo selecionar três ou quatro colaboradores com mais potencial e financiar o curso deles. É bem mais barato do que custear uma turma de 30 pessoas.  

Há empresas que optam por não dar treinamentos?

Algumas empresas com perfil mais agressivo, como instituições do mercado financeiro, veem que o desenvolvimento é problema do colaborador, então ele que venha e peça ajuda para um curso. Mas as melhores práticas incluem uma estrutura mais organizada. Quem tem maturidade, tudo bem. Mas nem todos têm a experiência necessária para entender qual é o melhor passo para se aprimorar.

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