Cursinhos definem a prova da Unesp como bem feita, mas apontam 2 problemas

Questões de matemática e química apresentam mais de uma alternativa correta, de acordo com docentes

Aline Vieira Costa, Bárbara Ferreira Santos, Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu,

18 Novembro 2012 | 23h38

Em poucas palavras, uma prova simples, bem elaborada e para quem sabe ler bem. Assim foi definida a primeira fase da Unesp, realizada na tarde deste domingo, 18, pela maioria dos professores e gestores dos principais cursinhos pré-vestibulares de São Paulo. No total, 86.123 estudantes fizeram a prova de conhecimentos gerais e disputam as 7.014 vagas em 165 cursos. O índice de abstenção foi de 8,7%. A maior proporção de faltosos foi registrada em Itapeva (SP), onde 18,1% dos estudantes faltaram à prova. As provas foram aplicadas em 35 municípios espalhados pelo País. De acordo com a organização do vestibular, essa edição bateu recorde no número de inscrições, com 94.359 candidatos concorrendo.

Apesar dos elogios feitos pela maioria dos docentes em relação às provas, duas questões apresentaram mais de uma alternativa possível de resposta, o que pode invalidá-las. O Anglo Vestibulares apontou a questão 74, de química. De acordo com Luís Ricardo Arruda, coordenador geral da instituição, pode-se aceitar como corretas tanto a alternativa D, indicada no gabarito oficial, como a E. A questão pede características da substância química beta-ionona e a resposta do gabarito aponta para a presença de duplas ligações conjugadas, o que é verdadeiro. No entanto, o professor questiona que a substância química também tem propriedades oxidantes, como afirmado na alternativa E. "A beta-ionona é uma acetona, que tem a propriedade de se transformar em álcool e nessa reação química ela se reduz. Nessa redução, ela oxida outra substância química, tendo, portanto, propriedades oxidante”, afirma.

Outra questão ambígua apontada por Arruda é a 88, de matemática, que pede o intervalo de metros que o nível global dos mares deve subir em um período de tempo. "A alternativa apontada pelo gabarito é a A, mas a alternativa E abrange a primeira alternativa e, justamente por isso, também poderia estar correta", diz. Na sua opinião, as questões não são passíveis de anulação, mas o ideal seria que a banca aceitasse as duas alternativas possíveis. A questão 88 também foi contestada por professores do Objetivo e Etapa.

Eduardo Costa, professor de matemática do Cursinho da Poli, define a prova como simples e de fácil alcance a alunos bem preparados. “A Unesp tem se aproveitado do Enem e mostrado como é que se faz uma boa prova de conhecimentos gerais”, afirma. A seu ver, a extensão das questões é o principal ponto que separa os dois exames.

Para  Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, a Unesp tem tido a preocupação em contextualizar ao máximo as questões, principalmente em biologia, química, física e matemática, querendo que o aluno saiba aplicar os conhecimentos em questões bonitas, inteligentes, bem boladas. "O aluno tem que ser um excelente leitor. Quem tem hábito de leitura compreende bem, e tem facilidade, e é isso o que a Unesp quer. Com boa formação e sem decoração, ela consegue selecionar o aluno melhor preparado", diz a coordenadora.

De acordo com o professor do Objetivo Nelson Dutra, a prova de português seguiu o mesmo padrão de anos anteriores: perguntas que exigiam interpretação de texto e que demandavam leitura atenta.“Foi uma avaliação muito bem feita, que teve como objetivo selecionar candidatos que sabem ler criticamente”, acrescentou a professora do Cursinho da Poli, Andréa Provasi Lanzara. Segundo ela, as questões de gramática foram poucas e, sempre que apareciam, estavam de alguma forma relacionadas aos textos. A prova de literatura não teve um formato “tradicional”, com a cobrança de escolas literárias, mas valorizou-se muito mais os recursos estilísticos.

Em inglês, a professora do Cursinho da Poli, Lúcia Helena Martins de Souza, acredita que os alunos que têm o costume de ler textos de jornais e revistas estrangeiras tiveram mais facilidade para resolver as questões da disciplina. Apesar de uma avaliação “leve”, as questões exigiram um conhecimento mais aprofundado dos candidatos. “Os textos estão mais curtos, mas nem por isso menos exigentes”, afirma. De acordo com Lúcia, mesmo conteúdos específicos, como gramática, são cobrados de forma aplicada à interpretação de textos.

Em ciências humanas o destaque ficou para geografia, por ter recorrido a diversos recursos de linguagem. "A parte gráfica colorida ajuda muito o entendimento do aluno, que precisa aprender a ler tiras, tabelas gráficas e mapas. O que o Enem não teve de mapa a Unesp teve", relatou a professora de Geografia do Objetivo, Vera Lúcia. A professora destacou temáticas que contestam o dia a dia, tais como conservação das florestas, terras raras, controle social e marketing religioso. Apesar da predominância de textos em História, o professor Daily de Matos Oliveira afirma que a prova distribuiu bem os conteúdos do programa do ensino médio.

O resultado da primeira fase será divulgado em 4 de dezembro, na página da Vunesp. As provas comuns da segunda fase serão aplicadas em 16 e 17 de dezembro, nas mesmas 35 cidades.

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