Reprodução/série Residência Médica
Reprodução/série Residência Médica

Cursinho lança série médica para ajudar na preparação ao exame de residência

Episódios abordam doenças, diagnósticos e tratamentos de saúde

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 07h00

SÃO PAULO - Há muitos anos as séries médicas são um grande sucesso na televisão, mas a forma como elas retratam os profissionais da saúde, os procedimentos e doenças se aproxima da realidade? Foi pensando na atratividade desses programas que a Medcel, uma plataforma que oferece cursos preparatórios para os exames de residência médica, produziu a sua própria série sobre o cotidiano de um hospital.

A ideia é aproveitar o interesse por esse tipo de produção para ajudar alunos de medicina a estudar. Com um investimento de R$ 3 milhões, a primeira temporada de “Residência Médica, com 12 episódios, será lançada no próximo dia 26 gratuitamente no portal da empresa. A trama mostra o trabalho e as dificuldades de quatro jovens médicos, mas foca em procedimentos e diagnósticos.

“Estamos sempre buscando melhores formas de ensinar, como transformar um conteúdo denso em algo mais fácil para ser absorvido pelos estudantes. A ideia foi unir o entretenimento com o aprendizado”, diz Julio de Angeli, CEO da empresa. O espectador pode pausar os episódios para acessar o material didático e videoaulas sobre as situações que estão sendo retratadas.

Além disso, a linguagem da série é bastante técnica e remete a muitos dos termos que os alunos aprendem no curso e depois vão usar na profissão. No primeiro episódio, por exemplo, uma médica faz um exame abdominal em uma paciente. Além de mostrar como é o procedimento, a atriz vai elencando todas as manobras que está fazendo. “Rovsing, Psoas, obturador”, diz a personagem durante a cena.

“O aluno vai assistir e recordar assuntos que viu em sala de aula, pode se sentir instigado para chegar ao diagnóstico antes dos personagens. Apresentamos o conteúdo da faculdade de uma forma mais leve para que o estudante possa ver assistir em um momento de descanso”, diz Angeli. O espectador também pode, ao final do episódio, responder questões que foram cobradas nas provas de residência de faculdades brasileiras em anos anteriores.

Todo o roteiro da série foi elaborado por médicos que são professores da Medcel. Eles, inclusive, contracenam nos episódios. Jáder Burtet, docente e ginecologista, diz que houve grande rigor técnico para evitar erros que são comuns em produções audiovisuais. “A gente vê muito em filmes que os médicos entram na sala cirúrgica e só depois colocam as máscaras ou que não utilizam luva cirúrgica. Nos atentamos a tudo isso, que podem parecer detalhes nas séries, mas são importantíssimos na prática”, diz.

Também houve preocupação para que os casos retratados na série fossem aqueles que os médicos brasileiros mais comumente se deparam nos hospitais, como doenças cardíacas, pulmonares e sexualmente transmissíveis.

Um estudo feito pela ong americana Kaiser Family Foundation analisou séries que contam o dia a dia de profissionais da área da saúde. A análise identificou que 32% dos episódios continham conteúdo considerado educacional, especialmente sobre os sintomas e tratamentos para as doenças. No entanto, o estudo mostra que a maioria dos episódios abordam doenças raras, que aparecem quatro vezes mais do que doenças cardíacas e 20 vezes mais do que diabetes - as com maior incidência na população do Estados Unidos.

Preparação. Representantes de entidades médicas dizem que a série pode ser um recurso extra para o estudo da medicina, mas ressaltam que esses instrumentos não substituem ou têm o mesmo de ensino que a prática médica. “A minha preocupação é com a ideia de uma fórmula sobre a postura do médico, a atuação durante um diagnóstico. A formação desse profissional ocorre com a experiência em um hospital, com um professor ao seu lado, discutindo casos, questões sociais, a promoção da saúde”, diz Sigisfredo Luis Brenelli, presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem).

Antonio Pereira Filho, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), diz que esse tipo de recurso se torna necessário por causa da má qualidade de ensino de algumas instituições. Segundo ele, com um aprendizado insuficiente ao final do curso de Medicina, os estudantes precisam recorrer a cursinhos para obter um bom desempenho nas provas de residência.

“Vivemos, infelizmente, um momento em que o ensino nas faculdades está cada vez mais deficiente em função da abertura indiscriminada de escolas. Se elas ensinassem o que devem, não teríamos a necessidade de cursinhos, de videoaulas, séries”, diz. O último exame aplicado pelo Cremesp em recém-formados em medicina mostrou que 88% não souberam interpretar o resultado de uma mamografia, 78% erraram o diagnóstico de diabete, 60% demonstraram pouco conhecimento sobre doenças parasitárias e 40% não souberam fazer a suspeita de um caso de apendicite aguda.

 

 

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.