'Cultura de celebridades faz os jovens verem educação como menos importante', diz professor

Debate no Fórum Global de Educação discute a influência de celebridades, influencers e youtubers nos alunos

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

18 Março 2018 | 03h00

DUBAI - Astros do cinema, ícones da música, atletas, modelos, influencers das redes sociais. O espectro de celebridades no mundo ampliou nos últimos anos por causa das redes sociais. O aumento provocou uma obsessão pela fama nos jovens? Qual a influência da “cultura das celebridades” nos jovens? Ela afeta as chances dos alunos de terem uma boa educação e conseguir um bom emprego?

Especialistas em educação e comunicação estão estudando as consequências desse novo fenômeno e discutiram seus impactos neste sábado, 17, no Fórum Global de Educação, em Dubai.

“Sou professor há 40 anos e vi como a cultura de admiração às celebridades mudou, vejo como os jovens respondem a esse novo cenário. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que 40% dos jovens americanos acreditam que vão ficar famosos, qual a influência disso na educação? Na formação da personalidades dos adolescentes?”, questiona Tony Little, professor de Inglês no Reino Unido e diretor da GEM Education, grupo educacional que tem 250 mil estudantes em 173 países.

Para ele, as celebridades ganham fama por serem uma “caricatura de si mesmos” e se tornam produtos. “Existe hoje uma fábrica de celebridades, onde não importa o que se faz desde que se alcance a fama. Isso afeta os jovens, eles deixam de acreditar na educação como importante”, diz. 

Zayna Aston, diretora de comunicação do Youtube, discorda que todas as celebridades sejam fabricadas de forma superficial e defende que as redes sociais permitiram a visibilidade de pessoas que antigamente não eram alçadas à fama. “O histórico de celebridades que tínhamos até então eram sempre homens americanos brancos. As redes sociais permitiram a quebra desse padrão, hoje temos diversidade e representatividade e os jovens se identificam nesses novos astros”, diz.

Ainda segundo Zayna, as redes sociais permitiram que as celebridades pudessem mostrar suas paixões e interesses e, com isso, se tornar mais “humanas” e próximas dos fãs. “Eles falam sobre como é ser negro, latino, gordo, gay, mulher. Esse posicionamento não era possível há alguns anos, porque eles ficavam blindados, só mostravam e falavam do seu trabalho. Agora, eles são um exemplo, servem de inspiração”.

O debate foi feito na 6ª edição do Fórum Global de Educação e Habilidades, promovido pela Varkey Foundation.

* A repórter viajou a convite da Varkey Foundation

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