Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Criticado por falta de apoio ao ensino na pandemia, ministro pede na TV volta às aulas presenciais

Em pronunciamento, Milton Ribeiro disse que vacinação de toda a comunidade escolar ‘não pode ser condição’ para a reabertura de escolas

João Ker, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2021 | 23h52

O ministro da Educação Milton Ribeiro defendeu a reabertura de escolas e a volta das aulas presenciais em pronunciamento oficial na TV durante a noite desta terça-feira, 20. De acordo com ele, a vacinação de toda a comunidade escolar "não pode ser condição" para que isso aconteça.

"Quero deixar claro que, no Brasil, a decisão de abertura e fechamento das escolas foi delegada a Estados e municípios, não tendo o governo federal poder de decisão sobre o tema", disse Ribeiro. "O Ministério da Educação não pode determinar o retorno presencial das aulas. Caso contrário, eu já teria determinado."

Segundo o comandante do MEC, o retorno seria seguro com o uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento social. Ele também defendeu o uso de protocolos de biossegurança e sanitários a todas as escolas, mas sem especificar quais. 

Ribeiro disse que uma série de países retomou as aulas presenciais ainda em 2020, "quando sequer havia previsão de vacinação". Não mencionou, porém, que a segunda onda da pandemia fez com que as escolas fechassem as portas novamente durante o 1º semestre deste ano, tanto na Europa quanto nos EUA. 

Na França, por exemplo, as aulas foram suspensas mais de uma vez para evitar a disseminação da covid e os alunos só retomaram o ensino presencial a partir de abril deste ano. Já em Portugal, outro caso elencado pelo ministro, o ensino presencial também foi interrompido em janeiro, quando o país passou por uma nova onda de transmissão do vírus. Na América Latina, o Chile tentou reabrir as escolas em março deste ano, mas teve que suspender as aulas presenciais 15 dias depois após casos de contaminação pela covid na comunidade escolar.  

"O MEC exerce com responsabilidade o seu papel de coordenador e articulador nacional, apoiando gestores estaduais e municipais para o retorno presencial às aulas", disse o ministro durante o pronunciamento, afirmando que o governo federal destinou R$ 1,7 bilhão para enfrentamento da pandemia nas escolas públicas. Ainda em março deste ano, entretanto, o presidente Jair Bolsonaro vetou um projeto que destinaria verba da União para o acesso à internet de alunos da rede pública.

Já em abril, Bolsonaro também reduziu em R$ 1 bilhão o orçamento destinado às universidades federais, além de bloquear 13,8% das verbas ao ensino superior público. A diminuição afetou bolsas de estudantes, de pesquisas, o funcionamento de hospitais universitários que atendiam pacientes da covid-19 e até o retorno presencial das aulas, que hoje foi defendido pelo ministro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.