Cristovam diz que os R$ 5,4 bilhões que pediu não eram para este ano

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, rompeu nesta segunda-feira um silêncio cinco dias após a repreensão pública que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por defender mais R$ 5,4 bilhões para a sua área, mas mostrou-se afinado com o governo. "O que eu coloquei naquele dia, nada tem a ver com o orçamento deste ano", esclareceu, defendendo ainda uma coalizão de toda a sociedade e dos partidos para tornar prioritário investimento em educação."O governo federal é responsável por muito pouco da educação básica no Brasil", justificou. Na assinatura do convênio de alfabetização com a CNI, semana passada, o presidente disse em discurso, dirigindo-se a Cristovam, que "quem tem pressa come cru". Lula afirmou que não se devia usar dinheiro como desculpa porque o problema da educação dependia muito mais de motivar a sociedade, já que determinadas tarefas não eram de responsabilidade do governo.Na segunda-feira, após a aula "A Segunda Abolição", que deu no curso de formação de alfabetizadores, em Brasília, Cristovam ressaltou que a educação básica vem sendo financiada pelos estados e municípios.Cristovam insistiu que não tem críticas à política econômica, mas sim à orçamentária. "O Brasil tem há 500 anos uma política orçamentária que não põe educação em primeiro lugar." Segundo ele, é preciso mudar a partir do próximo ano. "Isso vai exigir a formulação de uma coalizão que justifique a sociedade brasileira colocar o recurso necessário."Em defesa da política econômicaPara deixar clara a sua afinação com o governo, o ministro disse que continua "absolutamente defensor da política econômica" e defendeu a reforma previdenciária. "Se não fizermos reforma da previdência, ela quebra daqui mais cinco, 10 e 15 anos. Nós não podemos deixar que os velhinhos de daqui dez anos fiquem sem aposentadoria. Tem que fazer uma reforma." Ele acrescentou que se estivesse no Senado "votaria sem pestanejar" nas propostas do governo. "Com convicção", diz apostando na reforma para colocar em ordem a previdência e os tributos.AlfabetizaçãoO ministro pôde testar o seu prestígio com professores que participavam do treinamento do curso de alfabetização. Diversas vezes aplaudido, Cristovam deixou o auditório da Escola Fazendária cercado de professores e outras pessoas que queriam autógrafos ou tirar fotos a seu lado.Uma delas foi Olívia Lemos de Moura, 65 anos, analfabeta que participa do curso. Criada em roça, ela conta que o pai não quis deixá-la ir a escola para não escrever cartas pra namorado.Cristovam conclamou os professores a ajudarem 20 milhões de brasileiros, que não conhecem a bandeira do Brasil por não saber ler e escrever. Segundo ele, a bandeira do Brasil é uma das poucas que traz uma frase. "A elite brasileira foi perversa: quando fez a bandeira, 70% da população era de analfabetos."

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