Cristovam Buarque critica Lula após pesquisa educacional

Pesquisa divulgada pelo 'Estado' mostra que um terço das crianças da 4ª série não sabe o conteúdo da 1ª

Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo,

23 de março de 2008 | 19h30

A pesquisa divulgada no sábado, 22, pelo Estado, que mostra que um terço das crianças da 4ª série do ensino fundamental não sabe o que deveriam ter aprendido na primeira série, recebeu elogios do ex-ministro da Educação Cristovam Buarque (PDT-DF). Com os dados preocupantes, ele critica o governo Lula e diz não ver disposição para reverter essa realidade.   Veja também: SP amplia em 78% verba para manutenção nas escolas   "Essa pesquisa é necessária, como são todas as avaliações, mas nada disso é suficiente para sensibilizar a opinião pública e os governos", afirmou. "O problema é que nada indica que isso vá mudar. E para mudar seria necessário inicialmente que a educação fosse levada tão a sério que fosse tratada como federal e não como estadual e que o salário e a formação dos professores fosse padronizada", argumentou.   O estudo feito pelo Instituto de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação, tem por base os resultados da chamada Provinha Brasil, a primeira avaliação de alfabetização feita no País.   Inicialmente, Inep fez uma escala de cinco níveis para identificar se o processo de alfabetização condiz com o nível de aprendizado da criança.   Os dados mostram que o quarto nível, em que um estudante deve ser capaz de ler textos curtos com vocabulário comum na escola, foi considerado pelo Inep como o ideal para um menino de 8 anos que esteja terminando a 1ª série primária - ou o 2º ano, na nova metodologia do ensino fundamental de nove anos.   No entanto, numa avaliação feita em 2005, um terço dos alunos matriculados na 4ª série (ou, agora, o 5º ano do fundamental) não passou desse nível, ou seja, não adquiriu os conhecimentos básicos da 1ª série. Se forem consideradas apenas as escolas públicas - descontadas as federais, que costumam puxar as notas para cima -, esse índice ainda fica um pouco pior: 33,3%. Nas redes municipais, chega a 35%.   A secretária de Educação Básica do Ministério, Maria do Pilar, admitiu que esses números são preocupantes. "É um número que nos preocupa. Não podemos nos contentar que haja algum menino sem aprender", ponderou. Mas ao contrário de Cristovam, ela afirmou que o governo está no caminho certo para mudar essa realidade. "É um dado que nos surpreende, mas acho que estamos no caminho correto. Há 20 anos, tínhamos mais crianças que não aprendiam, mas estavam fora da escola. Hoje temos programas que apontam para um caminho correto", acrescentou.   Um desses programas seria justamente a Provinha Brasil que, servirá, de acordo com ela, para identificar problemas no processo de alfabetização e saná-los antes que a criança chegue aos dez anos sem saber o que deveria ter aprendido aos oito anos. Na próxima semana, estados e municípios começarão a receber o material da pesquisa. O resultado dirá se as escolas estão em conformidade com as metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

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