Arquivo pessoal
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Crise? Não no mercado de Tecnologia da Informação

Cresceram tanto a procura por pós-graduação na área quanto a variedade de cursos oferecidos. Profissionais têm muitas oportunidades de trabalho

Nana Soares, ESPECIAL PARA O ESTADO

29 Março 2016 | 11h48

O cenário na área de Tecnologia da Informação (TI) é positivo. Na contramão da recessão econômica, o setor tem crescimento estimado de 2,6% para este ano. O mercado não para de crescer, mesmo com o País em crise. E ainda falta mão de obra para suprir a demanda crescente de serviços. O Brasil pode chegar em 2020 com um déficit de até 408 mil profissionais de TI, segundo dados da Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex).

A organização Code.org prevê que, no mesmo período, 1,4 milhão de vagas sejam abertas em todo o mundo, mas apenas 400 mil delas serão preenchidas. Não à toa, multiplicam-se os cursos de graduação e especialização na área, que encontram pessoas dispostas a dar uma guinada na carreira.

Apenas na PUC Minas Virtual, que oferece diversos cursos de Tecnologia da Informação, o número de alunos matriculados na pós-graduação cresceu 50% em dois anos. O diretor da instituição, Marcos André Silveira Kutova, afirma que a área é atualmente a que menos tem tido dificuldade de colocação no mercado.

“Todo o funcionamento das organizações é feito por meio de tecnologia, então os profissionais desse setor estão diante de um mercado sem limites. Eles podem trabalhar em absolutamente qualquer empresa.”

Segundo o coordenador de Pós-Graduação do Instituto de Gestão em Tecnologia da Informação, Fernando Zaidan, não apenas tem aumentado a procura pelos cursos na área como também a variedade de especializações disponíveis. E, como a profissão ainda não é regulamentada pelo Ministério da Educação, não é mandatório ter um diploma de graduação para exercê-la, mas sim o conhecimento técnico necessário para o trabalho.

Experiência prática. Era o caso de Saulo Stopa, de Uberlândia. Graduado em Teologia, o profissional já atuava em TI havia mais de uma década quando resolveu fazer a pós-graduação na área. Até então, sua única formação vinha de um curso técnico.

“Senti a necessidade de atualização tecnológica e resolvi fazer uma pós-graduação em Engenharia Web, setor em que eu já trabalhava.” Saulo avalia que não adquiriu tantos conhecimentos novos na pós-graduação, mas que sua formação ficou mais organizada e qualificada. “E principalmente percebi que o mercado olha para o profissional com especialização de outro jeito. Eu já tinha informação, mas não tinha a formação.”

Saulo diz acreditar que, mesmo para um profissional que não é da área de Tecnologia da Informação, pode ser útil ter o conhecimento. “Praticamente não existe mais um ambiente que não seja tecnológico, saber TI dá uma vantagem ao profissional porque ele sabe exatamente como funciona a máquina.”

Kutova afirma ser perfeitamente possível mudar de carreira para trabalhar em TI, já que há ferramentas gratuitas na internet para aprender programação. “Acho que é melhor se preparar um pouco antes de iniciar uma especialização, assim o aluno não perde tempo. Mas dá para entrar e estudar depois porque não existe impedimento quanto à formação original.”

“A migração de profissionais de áreas afins, como Engenharia, Design ou Gestão, é muito comum, mas também observamos gente vindo de setores como Comunicação e Saúde”, explica Kutova. “Atualmente é possível criar os próprios projetos sem necessariamente abandonar o emprego. Fica muito mais fácil experimentar a área de TI. Os únicos pré-requisitos para isso são esforço e dedicação.”

Quem também pensa assim é o coordenador de Tecnologia em Jogos Digitais do Centro Universitário Senac, Fabio Lubacheski, que relata que a migração não anda acontecendo só entre os jovens. O professor dá aula para o primeiro semestre da graduação no Senac e conta que todas as turmas têm alunos em segunda graduação, que vêm tanto de áreas de Exatas como de outras distantes desse campo, como Letras e Educação Física. “O importante é saber resolver os problemas e ter capacidade de aprender rápido uma nova tecnologia.”

Bom de Matemática. Lubacheski observa, no entanto, que a procura pela pós-graduação em TI na instituição se manteve constante apesar do crescimento do mercado. Para ele, a crise econômica pode ser um motivo disso, mas a deficiência e a falta de interesse da população em geral para Matemática são os fatores mais importantes.

“Em uma turma de Engenharia da Computação entram 50 pessoas e se formam duas, e a maior deficiência observada é em Matemática. Somamos a isso uma população cada vez mais dependente de tecnologia e vemos tantas vagas sobrando no mercado.”

Mesmo dentro da área de TI, especialmente na pós-graduação, ainda é necessário decidir em qual nicho se especializar. As possibilidades são muitas e podem variar entre campos mais relacionados ao desenvolvimento de novas tecnologias, à infraestrutura ou a áreas de gestão.

“A especialização em TI é mais voltada para o mercado e em um curto prazo dá uma visão geral do nicho em que o profissional deseja atuar. E, se já for um profissional do setor, é uma ótima oportunidade para reciclar os conhecimentos e descobrir tendências e métricas utilizadas no mercado”, afirma o professor do Senac.

Com os recursos digitais mais presentes em nossas vidas, campo de atuação realmente não falta. “TI é imprescindível, e o mercado quer alguém que, além de ser capaz de desenvolver o que já existe, consiga identificar nichos para criar a necessidade de novas tecnologias. “Antes de inventarem o Whatsapp, ninguém precisava dele, agora ele é fundamental. É necessário alguém que identifique esse mercado.”

Tendências a longo prazo. O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (BrassCom), Sérgio Paulo Galindo, é otimista em relação ao futuro da profissão. Ele identifica várias tendências tecnológicas a médio e longo prazos e diz que faltam profissionais capacitados para dar conta da demanda que está por vir.

“A internet das coisas (novo conceito que liga objetos e aparelhos do dia a dia à rede e a grandes bases de dados) é a maior onda tecnológica que temos no nosso cenário. A previsão é que em 2025 tenhamos 500 bilhões de sensores conectados à internet e uma movimentação de até US$ 19 trilhões.”

Para o especialista, haverá uma “demanda altíssima” por profissionais de TI no futuro. “A pressão para a transformação digital é muito grande.” Isso já se manifesta, segundo Galindo, na busca por conhecimento: “A preferência manifestada pela nova geração é de que a segunda língua seja programação, e não mais inglês”.

Programação para todos. Mesmo quem não quer mudar para a carreira de TI pode se beneficiar desse conhecimento tanto pessoal quanto profissionalmente. Steve Jobs, fundador da empresa Apple, defendia que todos devem aprender a programar porque isso ensina a pensar, um raciocínio com o qual especialistas desse segmento concordam.

Maristela Alcântara, consultora em Tecnologia Educacional que trabalha com educação infantil, comenta que “aprender a programar agiliza o processo de resolução de qualquer problema”. De acordo com a consultora, isso pode ser aplicado a qualquer profissão.

“A principal ideia do ensino de programação, especialmente nas escolas, não é a formação de programadores e sim o desenvolvimento das habilidades que são necessárias para a programação. É preparar para que os alunos saibam resolver um problema da melhor maneira possível”, explica. “Mas dá para aprender a qualquer momento, basta querer.”

Kutova, da PUC Minas Virtual, compara a linguagem da programação com a escrita e com a Matemática para dar uma noção da importância desse conhecimento atualmente. “É necessário saber fazer conta, escrever bem e se dar bem com tecnologia, caso contrário você se desconecta do mundo.”

SERVIÇO

ESPECIALIZAÇÃO

Fiap

Curso: MBA em Gestão da 

Tecnologia da Informação

Duração: 12 meses

Inscrições: Até o início do curso

Seleção: Entrevista

Início das aulas: 2/5

Custo: 24 parcelas de R$ 956

Curso: MBA em Arquitetura e 

Administração de Banco de Dados

Duração: 12 meses

Inscrições: Até o início do curso

Seleção: Entrevista

Início das aulas: 5/4

Custo: 24 parcelas de R$ 857,60

PUC Minas Virtual

Curso: Engenharia

de software (a distância)

Duração: 18 meses (tempo que durou o curso na última edição)

Inscrições: A partir de junho

Seleção: Ficha de inscrição e informação do responsável financeiro

Início das aulas: setembro

Custo: 20 parcelas de R$ 265 (valor de 2015)

FGV-SP

Curso: MBA Executivo em Administração: Gestão de Tecnologia da Informação

Duração: 432 horas

Inscrições: Até o início do curso

Seleção: Análise Curricular e entrevista

Início das aulas: 14/4

Custo: 25 parcelas de R$ 1.516,72

PARA APRENDER A PROGRAMAR

Hour of code

A plataforma é superdidática e tem tutoriais de todos os tipos, em inglês e até em português. 

Khan Academy

Outra plataforma para iniciantes e com tutoriais disponíveis  em português, o material da Khan Academy pode ser usado por todas as idades. 

CC50

É uma versão não-oficial e em português do curso de Introdução à Ciência da Computação oferecido pela Universidade Harvard.

Code School

Tem cursos de diversas linguagens de programação. É pago, mas o cadastro gratuito dá acesso a até dez cursos. Em inglês.

Code Academy 

A plataforma ensina diversas linguagens de programação e é totalmente gratuita. Está disponível em português.

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