Crise financeira deve aumentar procura por MBAs no Brasil

Executivos preferem não sair do País, mas sabem que é preciso estudar para se manter no mercado

Ana Paula Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

01 de dezembro de 2008 | 16h07

O diretor de compras da Cisco do Brasil, Edson de Vitto, precisou equilibrar uma equação complicada ao escolher um curso de MBA. Experiência internacional e um curso forte eram necessários, mas, ao mesmo tempo, em um momento de instabilidade na economia mundial, ele não poderia se afastar da empresa (e não queria se afastar da família). "Optei por um curso no Brasil. O que eu não podia era abandonar os planos de aprimorar minha formação, com crise ou sem crise", afirma o executivo.  Veja também: 'É fácil saber quem fez um bom MBA', diz headhunter Escola de Minas Gerais passa o conceituado MIT em ranking Com crise financeira, foco muda para gestão corporativa Ele escolheu o curso de MBA executivo da Universidade de Pittsburgh, entidade americana que tem aulas também em São Paulo e em Praga, na República Checa. "Os mesmos professores viajam entre os países para dar aulas", explica o diretor da universidade no Brasil, Fabio Yamada. "O curso dura 15 meses, mas os alunos passam duas semanas nas outras unidades. Ou seja, têm a experiência internacional, sem ficar muito tempo longe do trabalho." Segundo Yamada, a turbulência global deve fazer com que muitos executivos mudem seus planos de estudar no exterior para buscar cursos no Brasil. "Ocorreu uma paralisação de investimentos das empresas, mas as pessoas querem manter sua ‘liquidez pessoal’, ou seja, querem ser mais valiosas para o mercado nesse momento e estão tomando a iniciativa de estudar mais", diz. Segundo ele, a Pittsburgh teve um aumento na procura pelo curso brasileiro de 50%. O diretor de clientes da Fundação Dom Cabral, Antonio Batista, afirma que já houve uma procura maior nos últimos meses pelos programas fechados, aqueles feitos sob medida para algumas empresas. "As empresas investem nos cursos que, neste momento, resolvem exatamente as dificuldades que elas passam", explica.  "Em geral, acredito que vá haver uma maior procura pelos cursos nacionais, pagos em reais", afirma Batista. Isso porque, nos últimos dois meses, o dólar já variou entre R$ 1,60 e R4 2,46. "As escolas americanas estão vendo quedas em suas matrículas, enquanto no Brasil temos crescimento constante há vários semestres." Um estudo da Universidade de Maryland, nos EUA, mostra que, nos países ricos, a relação entre matrículas em escolas de negócio e situação econômica é direta: quanto melhor a economia, mais executivos estudando. Nos momentos de crise, as matrículas caem: os estrangeiros ficam em seus países e os americanos adiam planos. "Todas as empresas estão mais cautelosas, e dizer que a crise não afeta em nada pode ser precipitado", diz Luca Borroni, diretor de educação executiva do Ibmec-SP. "Mas ainda não sentimos diferença no número de matrículas, até porque os programas são negociados com bastante antecedência." Ele afirma, no entanto, que "pessoas com visão de longo prazo não diminuem investimentos em educação". O diretor de estudos executivos do Coppead , Vicente Ferreira, concorda. "MBA está se tornando um pré-requisito, como o inglês foi há 15 anos." Segundo ele, a procura pelos cursos do Coppead vem em movimento ascendente há anos. "Numa crise, porém, não se pode fazer futurologia e dizer com certeza se mais ou menos pessoas farão MBA no próximo ano."  Ele estima que, na impossibilidade de bancarem um curso fora ou se afastarem de suas empresas por muito tempo, os executivos vão investir nas escolas de primeira linha do Brasil. "Lidamos com executivos. Para a crise afetar a verba de formação dessas pessoas, terá de ser muito forte e muito longa", avalia.

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