Crise em escolas de tempo integral derruba coordenador

As denúncias de problemas nas escolas integrais, em diversos municípios do interior do Estado, levou o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, a exonerar o chefe da Coordenadoria de Ensino do Interior (CEI), Élcio Antônio Selmi, e a criar uma coordenadoria especial, dedicada exclusivamente ao Programa de Escola em Tempo Integral. O programa é tido pelo governo do Estado como o principal projeto na área da Educação, mas enfrenta resistências de pais de alunos, que denunciam falta de mínimas condições físicas e pedagógicas para a prática. A decisão de Lembo ocorreu três dias depois de a Justiça Estadual suspender o programa na escola Anísio José Moreira, em Mirassol, na região Noroeste do Estado. Irritado com a notícia da suspensão, Lembo pediu mudanças urgentes à secretária de Educação do Estado, Maria Lucia Vasconcelos. No lugar de Selmi, que não localizado nesta sexta-feira para comentar o assunto, assumiu a coordenadora da Capital, Edna Matos. Ela vai acumular as duas funções. Para o cargo de coordenador especial das escolas integrais foi indicado Vanderlei Perucci. Perucci, que assumiu no dia 10, disse que está "tomando pé da situação". Segundo ele, a função da nova coordenadoria é agilizar e otimizar as ações com a integração das várias equipes que compõem o programa. Perucci disse que vai visitar todas as escolas onde problemas com as escolas em tempo integral foram levantados. Assim que assumiu o cargo da CEI, Edna Matos se reuniu com o promotor José Heitor dos Santos e com o juiz Ronaldo Merighi, de Mirassol. Ela tentou, mas não conseguiu, convencer os dois a não suspender o programa. A suspensão, dada em liminar por Merighi, na última segunda-feira, começa a valer a partir da próxima segunda, 15, quando todos os 700 alunos do programa na Anísio Moreira estarão dispensados das aulas do período da tarde. Além de suspender o programa, Merighi, interditou o auditório e o ginásio de esportes da escola, que podem desabar a qualquer momento. As principais falhas apontadas pelo Ministério Público são falta de refeitório para todos alunos, instalações impróprias de banheiros e salas de aulas, falta de professores capacitados, falta de projeto pedagógico e de materiais didáticos. Além disso, segundo o MP, os alunos ficam confinados no pátio, em situação constrangedora. No final desta tarde, a Secretaria da Educação divulgou nota afirmando que a partir de segunda-feira a escola de Mirassol receberá reformas do prédio e equipamentos previstos no programa de escola em tempo integral, "entre eles, material pedagógico, livros paradidáticos, computadores, balcão térmico industrial para refeições, fogão industrial, geladeira, freezer, mesas e cadeiras para o refeitório, entre outros", diz a nota. O problema com as escolas em tempo integral não se restringe à Mirassol. Dezenas de outros municípios do Estado também enfrentam situação semelhante. Em Marília, por exemplo, a Justiça concedeu liminar liberando alunos para almoçar em casa. Em Lins, pais de alunos levam almoço às escolas e dizem que seus filhos ficam confinados no pátio no período da tarde, por falta de professores e material. Na região do ABC, de acordo com levantamento do Ministério Público, há ao menos 29 escolas enfrentando problemas semelhantes, assim como há outras escolas mal atendidas em Bauru, Assis, São José do Rio Preto e Jundiaí.

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