Criatividade como negócio e tema de pós-graduação

Criatividade como negócio e tema de pós-graduação

Faculdades investem em programas com temas como economia criativa e design voltado para o digital

Guilherme Guerra, Especial para o Estado

13 Novembro 2018 | 07h00

A arquiteta Aline Rodrigues Meira sempre quis fazer uma pós-graduação voltada para estratégia, gestão e marketing com um toque diferente do que o mercado oferecia. Ela conseguiu atender às suas expectativas quando achou o curso de pós-graduação Lato Sensu de Gestão em Economia Criativa, da Faculdade Belas Artes, que tem como objetivo fazer com que os estudantes achem soluções criativas para problemas complexos.

A pós-graduação debate temas como trabalho em equipe, propriedade legal, branding, dentre outros, sob o enfoque da economia criativa, indústria que movimenta US$ 2,2 bilhões e emprega 30 milhões de pessoas pelo mundo, de acordo com dados de relatório da Unesco de novembro de 2018. Por definição, esse setor, que o órgão educacional das Nações Unidas afirma estar em crescimento globo afora, contempla cinema, design, gastronomia, artes plásticas e, claro, arquitetura.

“No meu trabalho, esse olhar diferente de planejar e executar me permitiu ter uma visão mais ampla do que acontece no mercado, consigo elaborar e defender com mais propriedade as ideias e os projetos que quero implantar”, afirma Aline. Atualmente, na incorporadora em que trabalha, a arquiteta chefia a criação de um novo modelo de negócio no setor de personalização, desenvolvendo soluções para a empresa.

Realização

Para a coordenadora do curso, Marcia Auriani, apesar da vocação natural para inventar – “o brasileiro é muito criativo por nascença” –, quem trabalha com criatividade no País não sabe vender o seu projeto nem se posicionar no mercado. E é aí que abre brecha para o curso, o primeiro do tipo no Brasil, munir gestores com recursos para atuar em seus ambientes criativos, usando a técnica de design thinking para colocar o produto no mercado.

Ela cita o caso da bossa nova e samba brasileiros, que movimentam artistas, gestores e público pelo Brasil e pelo mundo. Outro exemplo é o artesanato do País, que, segundo Marcia, tem alta qualidade e grande valor, mas não é profissional. E isso impede que a indústria criativa do setor se expanda, apesar do incentivo para o setor vindo de órgãos como a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Segundo a cartilha da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), estímulos de formação e trabalho devem ser dados para que a área ganhe profissionalização e empregue ainda mais pessoas. “Quando se é profissional, vende mais. O Brasil tem um mercado maravilhoso, tem muito (potencial) para crescer”, diz Marcia, certa de que o setor vai crescer muito mais nos próximos anos.

Novos rumos

O impulsionamento da economia criativa, originada pela expansão dos meios digitais, revolucionou uma profissão consolidada no século 20: o designer gráfico. O trabalho ganhou sentido diferente com a chegada dos softwares que otimizam o serviço, que se torna menos técnico para ser mais criativo. O uso de programação para gerar imagens gráficas e de interatividade para criar intervenções são as principais maneiras para ingressar no recente e dinâmico mercado de trabalho de design digital.

“Os profissionais que podem fazer uso desses meios são os que estão ligados a um campo dito criativo porque toca na área das artes plásticas, do cinema, da arquitetura”, conta Rodrigo Silveira, o coordenador de Design: Interação e Cultura Digital, curso de pós-graduação Lato Sensu da Faculdade Armando Alvares Penteado (Faap).

Segundo Silveira, a diferença é que, em vez de lidar com suportes tradicionais (revista, televisão, cinema), esse novo designer ligado ao setor criativo enfrentará tempos e espaços diferentes para fazer suas criações.

Assuntos. Uma das novidades da área é o videomapping. A técnica é utilizada sobretudo por campanhas publicitárias em eventos, transformando uma superfície estática (uma parede ou um edifício) para projetar uma animação que crie uma narrativa nesse espaço. Altamente procurados, designers, animadores, fotógrafos, técnicos de iluminação e outros criativos com conhecimento do processo são contratados para criar essa projeção.

Daí a necessidade de abordar o mapeamento de vídeo em uma pós-graduação com profissionais que querem ampliar seu escopo. Outros temas também são estudados, como visualização de dados e tipografia.

O curso da Faap abre matrículas para as primeiras turmas em 2019, quando Silveira espera contribuir para aumentar a discussão sobre design digital com uma formação especializada no tema. “A gente quer ampliar essa comunidade e oferecer isso tudo num curso de pós-graduação de 18 meses”, conta o coordenador. “Não é um curso técnico. Damos instrumentos para que depois o estudante consiga desenvolver os próprios projetos.”

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