Alex Silva/Estadão - 10/09/20
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Crianças da Amazônia estão menos na escola que outras no restante do Brasil

Resultado de tudo isso é a baixa perspectiva de desenvolvimento, combate à pobreza e à desigualdade numa região crucial para o futuro do País

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2021 | 05h00

As crianças da Amazônia estão menos na escola que as do restante do País. E as que estão aprendem menos. Não há creche para todos os bebês e os adolescentes desistem mais do ensino médio. Também se investe menos em educação. O resultado de tudo isso é a baixa perspectiva de desenvolvimento, combate à pobreza e à desigualdade numa região crucial para o futuro do País.

As razões para esse cenário são múltiplas e estão sendo estudadas pelo projeto Amazônia 2030, que reúne dezenas de pesquisadores brasileiros. Eles produzem estudos sobre várias áreas, uma delas a educação. Os resultados começam a sair agora e a ideia é ter um plano para o desenvolvimento econômico e humano da região, sem desmatar.

Historicamente, quando se fala de fracasso educacional nos nove Estados da Amazônia Legal, culpa-se a distância e o isolamento de muitos municípios. A região tem 772 cidades, segundo o IBGE, a maior parte dos Estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, além do Acre, Rondônia e Roraima. A área corresponde a 60% do território brasileiro.

Há, de fato, diversas cidades e aldeias no meio da mata, onde se chega só de barco. Mas muito do problema se explica pela situação socioeconômica da população, mais baixa que a do resto do País. E ainda o que poderia ser uma vantagem está sendo mal aproveitado.

A região vive hoje o chamado bônus demográfico, com a população que trabalha e paga impostos maior do que a de aposentados e crianças. Mas ela só estará qualificada para construir a economia local se houver educação para todos e de qualidade.

Uma boa opção seria o ensino profissional. No entanto, estudo do Amazônia 2030 mostra que só 2% dos estudantes da região estão matriculados em ensino profissional e esse índice está assim há anos. São cursos que atendem às demandas do mercado e levam a mais empregabilidade.

Pesquisas mostram que falta oferta, mas também há desinteresse dos jovens porque não existe emprego mesmo para quem se forma. A desocupação na Amazônia Legal é de 57% entre os que têm 18 a 24 anos e 40%, entre 25 e 29 anos.

O pensamento imediato é: a educação da região precisa de mais dinheiro. Sim, o investimento por aluno é mais baixo que no resto do Brasil e mais dinheiro melhoria o desempenho dos alunos. Mas a baixa condição socioeconômica da população estanca o crescimento, indicam estudos. Só o desenvolvimento econômico e social, com uso sustentável da floresta, pode garantir um futuro para as crianças da Amazônia.

*É REPÓRTER ESPECIAL DO 'ESTADO' E FUNDADORA DA ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS DE EDUCAÇÃO (JEDUCA)

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