Criador do Provão, Paulo Renato teme volta de influências políticas

O ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza recebeu com indignação a proposta apresentada pelo novo governo, de abandonar o Provão. Ele entende que ela representa o fim do sistema de avaliação. "Faço um apelo ao ministro e ao presidente Lula para que não permitam uma coisa dessas", disse.Segundo Paulo Renato, o Ministério da Educação vai voltar ao tempo em que influências políticas definiam o reconhecimento e autorização de cursos de ensino superior. "Eu criei um critério objetivo justamente porque percebi que essa era a única maneira de impedir as pressões", disse referindo-se às notas de A a E que expressam atualmente o desempenho dos cursos no Provão."Milhares de páginasPara ele, esse foi também o jeito encontrado para que a sociedade pudesse ter acesso aos resultados da avaliação. No novo sistema, dossiês sobre as instituições substituirão o critério de notas. "O aluno terá de ler milhares de páginas antes de tomar a decisão sobre que curso escolher."Entre as entidades representativas das instituições particulares, o novo sistema parece ser bem-vindo. "A avaliação focada na instituição é um grande avanço", diz o diretor-executivo da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), José Walter dos Santos.Ele faz ressalvas apenas à extinção do critério de notas, porque acredita que os alunos podiam apresentá-las a empregadores como forma de mostrar seu desempenho no teste.Duas etapasA presidente da Associação Nacional das Faculdades e Institutos Isolados (Anafi), Naira Amaral, gostou especialmente do fato de a avaliação dos alunos passar a ser realizada em duas etapas: no segundo e no último ano. "É importante mostrar o nível do aluno quando entra na instituição e como ele sai dela."Segundo Naira, as pequenas faculdades recebem alunos de escolas públicas, menos preparados para o ensino superior, e, por isso, tiravam notas mais baixas no Provão.Quem será selecionadoOs irmãos Thomaz e Spencer Sydow, universitários, também se mostraram animados com a maioria das mudanças propostas. Segundo eles, o importante é avaliar a instituição como um todo, inclusive professores, e não só o aluno.O único problema apontado foi a participação por amostra dos estudantes no exame. "Os que forem selecionados não vão gostar nada e pode haver mais boicote ainda", disse Thomaz.

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